TEDx Amazônia fala de como colaborar e produzir melhor

Especialistas discutem interdependência e cuidado com o planeta

Alessandro Greco, especial para o iG de Manaus |

“Precisamos resolver um conflito de interesses. Somos deuses ou uma espécie animal?” A provocação do economista Hugo Penteado mostra bem o que foi a tarde de sábado do TEDx Amazônia. “O planeta não tem o menor interesse na gente. Nós é que temos de negociar com ele para continuar aqui”, afirmou.
Antes, Paul Bennett, diretor criativo da IDEO, consultoria de design e inovação que é considerada uma das 25 empresas mais inovadoras do mundo, já havia falado da interdependência, a necessidade que temos um dos outros, que resumiu dessa forma: “Precisamos um do outro. Entenda. O tempo está passando”.
O mesmo raciocínio foi feito pelo biólogo Paulo Arruda que explicou que 40 dos medicamentos mais vendidos do mundo vêm da natureza. “A natureza tem uma quantidade de soluções para nossos problemas. Precisamos apenas entender como”, afirmou. Arruda também falou da importância de se decodificar o genoma de um microorganismo que destrói as laranjas. Ele foi um dos líderes desse estudo, que se tornou a primeira pesquisa brasileira a ser capa da revista Nature.
O engenheiro químico Michael Braumgart, autor do livro “Cradle to Cradle”, que propõe recriar a forma que produzimos nossos produtos, falou do lixo, da falta de respeito por ele e das conseqüências disso. “Como podemos viver em harmonia? Como as pessoas podem criar design para dar suporte à natureza? Se não for assim não há vida”, disse ao iG.
Boa parte do evento tratou da conclusão de que a vida também não existe de forma independente na Terra. É necessário cuidar uns dos outros e do planeta. “Cuidar não é uma opção. Aprendemos a cuidar ou morremos todos”, afirmou Bernardo Toro, da fundação Avina.
“Estou alegre de ver neste evento que os jovens estão criando e sabem cooperar. Quando sabem fazer isso podem resolver tudo”, afirmou ele ao iG. Um exemplo disso é o trabalho de Larissa Oliveira, da Unisinos, no Rio Grande do Sul. Ela descobriu uma nova espécie de lobo marinho peruano que já estava em risco de extinção e conseguiu reverter essa situação tornando apetitoso para consumo humano o alimento do lobo marinho, a anchoveta. Antes ele era totalmente usado como ração para peixes, e o excesso de sua caça estava matando de fome o lobo marinho. Ao tornar a anchoveta “chique”, o consumo diminuiu, e o lobo marinho voltou a ter seu alimento. Ou seja: tornar algo interessante para o ser humano pode ser também a salvação.

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