Tartarugas 'sabem' como se proteger dos efeitos da mudança climática

Estudo afirma que hábitos de acasalamento de tartarugas marinhas ajuda a manter o número de machos e fêmeas em uma população

The New York Times |

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Pesquisadores estudaram os efeitos do aquecimento global na dinâmica de uma população de tartarugas
A temperatura do ovo durante a incubação é o que determina o sexo do filhote de tartaruga marinha. Quanto mais quente for o clima, maior será o número de filhotes do sexo feminino. (O fenômeno chama-se determinação do sexo pela temperatura.)

Contudo, os pesquisadores que estudam a tartaruga verde da região norte do Chipre relatam que, apesar do aquecimento global, o número de machos e fêmeas acasalando é quase igual.

Entre as tartarugas que saem dos ovos na região, as fêmeas são em número muito maior que os machos. Mas a disparidade entre os sexos termina na idade adulta. Como isso acontece constitui um mistério.

"Existem inúmeras teorias", afirmou Lucy Wright, ecologista da Universidade de Exeter, na Inglaterra, e principal autora do estudo, que aparece no periódico The Proceeding of the Royal Society B. "É possível que esses machos tenham sido gerados em outras praias ou, por alguma razão, os machos resistem mais que as fêmeas", afirma.

Uma tartaruga macho monitorada por satélite viajou para diversas praias de desova no Chipre e na Turquia e depois para a África do Norte.

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Os pesquisadores descobriam que, em sua área de estudo, 28 machos produziram filhotes acasalando com 20 fêmeas. Além disso, os machos acasalam com diversas fêmeas, o que melhora o sucesso reprodutivo e reduz a ameaça de procriação consanguínea.

As tartarugas estão ameaçadas de extinção, portanto as descobertas são animadoras.

"É uma notícia muito boa saber que elas conseguem lidar com o número desproporcional de fêmeas", afirmou Wright. "Existem outras ameaças que provavelmente são mais preocupantes", afirmou.

A captura das tartarugas por redes destinadas aos peixes constitui o maior perigo para esses animais.

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