Sudoeste dos EUA poderá sofrer um período de 60 anos de seca

Estudo da Universidade do Arizona mostra que sete estados do país poderão sofrer com temperaturas altas e baixo fluxo de rios

AFP |

O pior cenário contemplado por cientistas americanos indica que o sudoeste dos Estados Unidos poderá experimentar um período de 60 anos de calor e seca jamais visto desde o século XII.

Cientistas da Universidade do Arizona analisaram estudos sobre mudança de temperatura e seca na região nos últimos 1200 anos e os usaram para projetar modelos climáticos futuros, com a expectativa de que os administradores dos recursos hidráulicos possam usar a informação em seu planejamento.

Uma análise do passado, através de estatísticas humanas, mas também do estudo dos anéis formados no tronco das árvores que podem indicar períodos de umidade e seca, mostrou que as secas de séculos anteriores foram muito piores daquelas que vimos em tempos modernos.

"As piores secas do século XX empalidecem comparadas com as documentadas no paleolítico", escreveram os pesquisadores, assinalando, também, que altas temperaturas coincidiram com prolongados períodos secos na Idade Média.

"Não estamos dizendo que as futuras secas serão piores das que estudamos no paleolítico (...)", afirmou Connie Woodhouse, professor associado de geografia e desenvolvimento regional, quem dirigiu o estudo.

"De qualquer forma, os efeitos do pior cenário de seca, no futuro, serão intensificados por temperaturas inclusive mais altas".

No século XII, grande parte do oeste dos Estados Unidos e do norte do México sofreram um período de 60 anos de seca e calor, assinalam.

Durante 25 anos desse período, o rio Colorado - que hoje alimenta sete estados do país, inclusive grandes cidades como Los Angeles, Las Vegas, Denver, Phoenix, Tucson e Albuquerque - teve um fluxo 15% inferior ao normal.

Na década passada, uma amostragem do mesmo rio mostrou que está em seu ponto mais baixo desde a primeira medição, em 1906.

"Enquanto a seca estiver se estendendo, não é possível avaliá-la", disse Woodhouse.

Mas há indícios, como temperaturas superiores às experimentadas nos 1200 anos precedentes, associadas a estudos que preveem uma redução das precipitações invernais no sudoeste, que não pressagiam nada de bom.

"A linha inferior sugere que poderíamos ter uma seca como as da Idade Média, com temperaturas superiores", disse Woodhouse.

O estudo intitulado "Uma perspectiva de 1200 anos sobre a seca do século XXI no suroeste da América do Norte" aparece na edição on-line de 13 de dezembro das Atas da Academia Nacional de Ciências.

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