Simulado de vazamento de petróleo lança pipocas no Rio Negro

Exercício testa capacidade da Petrobras de mobilizar equipes nacionais e internacionais para conter grandes vazamentos

Bruno Rico, enviado a Manaus | 02/12/2010 19:51

Compartilhar:

Nesta quarta-feira, um navio da Transpetro encalhou no Rio Negro, no Estado do Amazonas, e despejou 800 mil litros de carga. Foram mobilizados recursos de São Paulo e Bahia para conter o vazamento, que chegou à encosta e poderia causar graves danos ambientais. Poderia -- se, em vez de óleo, a substância não fosse pipoca. O simulado, feito pela Petrobrás em parceria com a Marinha do Brasil, e com supervisão do Ibama, testou a capacidade da empresa de mobilizar equipes nacionais e internacionais para conter vazamentos.

Técnicos da empresa explicaram a escolha da pipoca: assim como o petróleo, ela não se mistura com a água. Além disso, como foi feita sem óleo, não polui. A diferença é que, se fosse o material poluente, dispersantes químicos seriam usados e causariam dano ambiental.

Ao ser informado do vazamento, um técnico realizou a primeira vistoria para ter dimensão do material vazado e do risco ambiental. Se o vazamento fosse pequeno – grosso modo, até 8 mil litros -, a unidade local daria conta da reação e dispensaria alarmes maiores. Como ultrapassou esse montante e ameaçava a costa do rio, equipes de outras regiões foram acionadas.

A Petrobras mobilizou cerca de 30 agentes para conter o vazamento. Eles monitoraram o comportamento da mancha via satélite, articularam equipes, contiveram o material despejado com cercas de plástico e borracha, sugaram o óleo para barcos com um equipamento chamado skimmer, e separaram a água do material poluente em terra. Um equipamento que permite desenvolver trabalhos de contenção à noite a partir de imagens captadas por infravermelho foi testado e aprovado.

A convite da Petrobras, o iG acompanhou a experiência. No entanto, as esperadas três toneladas de pipoca – equivalentes aos 800 metros cúbicos de petróleo – que manchariam de branco o Rio Negro não foram totalmente lançadas. “Com o risco de chuva, interrompemos as atividades”, disse o gerente regional de contingência da Petrobras, Márcio Dertoni, à bordo de um navio de observação. “Muito menos que o previsto foi utilizado”, disse, para frustração dos observadores.

O simulado foi realizado em paralelo ao Mobex, um encontro internacional sobre vazamento de óleo e derivados. Empresas de todo o mundo se reuniram em Manaus para afinar estratégias de cooperação em casos de grandes vazamentos, como o da BP, ocorrido em abril, no Golfo do México. Neste teste, recursos internacionais foram trazidos como se fosse uma situação real: vindos dos EUA, tiveram que obter visto ao passar pela alfândega.

A reação a um vazamento real deve durar poucas horas, mas este simulado se estende até sexta-feira e terá cinco relatórios. Trata-se de uma exibição para grupos internacionais, especialistas e jornalistas, além de uma oportunidade para novos profissionais da empresa acompanharem o trabalho.

O gerente regional Dertoni explica que um vazamento de 800 metros cúbicos de petróleo é considerado grande e, dependendo do risco ambiental, requereria cooperação de equipes de outras regiões do País e até internacionais. “Temos 10 Centros de Defesa Ambiental (CDAs) no País, com cerca de 20 pessoas prontas para agirem a qualquer momento”, disse. No teste, os CDAs de São Paulo e Bahia foram acionados. O simulado se insere no contexto prévio à exploração do pré-sal e serve de base para a reação da empresa a um possível acidente de grande escala.

    Notícias Relacionadas



    Previsão do Tempo

    CLIMATEMPO

    Previsão Completa

    • Hoje
    • Amanhã
    Ver de novo