Santuário no Atlântico Sul divide Comissão Baleeira Internacional

Criação de área protegida, proposta por Argentina e Brasil, foi rejeitada por países caçadores de baleias, liderados pelo Japão

AFP |

Os países caçadores de baleias, com o Japão à frente, se recusaram a submeter à votação, nesta quinta-feira (14), a criação de um santuário para os cetáceos no Atlântico Sul, o que provocou novos temores de tensões no último dia da sessão anual da Comissão Baleeira Internacional (CBI).

Os delegados japoneses, seguidos pelos islandeses e por vários países africanos e caribenhos, abandonaram a sala de negociação quando o presidente propôs a votação da iniciativa da Argentina e do Brasil.

Mas as negociações prosseguiam a portas fechadas.

Há vários anos, a CBI, que tem 89 membros, única instituição de gestão dos grandes cetáceos, prefere adotar as medidas por consenso para tentar superar as enormes divergências entre os países protetores de baleias e os caçadores (Japão, Noruega, Islândia e seus aliados).

Mas Brasil e Argentina pediram nesta quinta-feira, ante a falta de consenso, a votação da proposta de instaurar um santuário para impedir a caça comercial no Atlântico sul, uma medida mais simbólica que efetiva devido à moratória internacional em vigor sobre a caça.

"Pensamos que um votação teria um efeito bastante negativo no bom ambiente que conseguimos criar nesta organização", declarou durante as discussões Joji Morishita, comissário adjunto da delegação japonesa, ao mesmo tempo que disse "compreender a importância da proposta".

Ele afirmou que as delegações dos países caçadores abandonaria a sala para impedir o quorum necessário - 45 países - para proceder a votação.

"Não acredito que se acontecesse uma votação isto seria o fim da Comissão Baleeira", disse o representante do Brasil, Marcus Paranaguá, que recordou que a proposta do santuário está sobre a mesa desde 2001.

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