Rússia apoia exploração de petróleo no Ártico

Ártico tem um quinto do petróleo não explorados do mundo, mas por motivos ambientais e de segurança perfuração é proibida

The New York Times |

O Oceano Ártico é um lugar proibido para a perfuração em busca de petróleo. Mas isso não impede a Rússia de apoiar a prática, ou as empresas petrolíferas ocidentais de fazer parceiras com o país para sua exploração.

A Rússia, onde as reservas de petróleo em terra estão lentamente acabando, assinou no mês passado um acordo de exploração do Ártico com a gigante britânica BP, cujas perspectivas de perfuração marítima nos Estados Unidos foram prejudicadas pelo desastre no Golfo do México no ano passado.

Outras empresas de exploração de petróleo ocidentais, reconhecendo a abertura de Moscou para a perfuração neste novo oceano, estão tendo discussões semelhantes com a Rússia.

Mas conforme os esforços de exploração marítima da Rússia continuam, as empresas petrolíferas vão se aventurar por uma região do Oceano Ártico onde outros países – mais notadamente Estados Unidos e Canadá – têm receio de permitir a exploração do campo de petróleo por motivos ambientais e de segurança

Depois que o acidente da BP no Golfo no ano passado ressaltou as consequências catastróficas de um vazamento no mar, reguladores americanos e canadenses se concentraram nos desafios especiais que seriam enfrentados no Ártico em caso de um acidente deste tipo.

Os blocos de gelo e icebergs representam ameaças às plataformas de perfuração e suas tripulações. E se houvesse vazamento de petróleo no inverno a limpeza teria de ser feita na escuridão total que engloba a região durante esses meses.

Na semana passada, a Shell adiou os planos para a perfuração da costa ártica do Alasca conforme a empresa continua a enfrentar obstáculos de reguladores cautelosos em Washington.

Os russos, que controlam uma área de perfuração muito maior no Oceano Ártico que os Estados Unidos e o Canadá juntos, têm uma visão muito diferente.

Com a sua economia dependente do petróleo e do gás, que representam cerca de 60% do total das exportações, a Rússia vê pouca solução além da exploração marítima usando parceiros estrangeiros para fornecer conhecimento e compartilhar os bilhões de dólares em custos para a implantação do projeto.

O Ártico tem um quinto do petróleo e gás natural não explorados do mundo, segundo estimativas do relatório Pesquisa Geológica dos Estados Unidos. De acordo com um relatório de 2009 do Departamento de Energia, 43 dos 61 campos de exploração de petróleo significativos do Ártico estão em área russa.

A região russa do Ártico é particularmente rica em gás natural, enquanto o lado americano é mais rico em petróleo.

Enquanto os Estados Unidos e o Canadá debatem a questão, outros países estão abrindo espaço no Ártico para a exploração. A Noruega e a Groenlândia estão se movendo em direção à abertura de áreas do Ártico para a perfuração.

Mas dos cinco países com litoral no Oceano Ártico, a Rússia tem mais em jogo para explorar e desenvolver a região.

* Por Andrew E. Kramer e Clifford Krauss

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