Reunião de Bangcoc busca consenso global sobre mudança climática

Encontro é prévia da Cúpula de Durban (África do Sul), que ocorrerá em novembro deste ano

EFE |

 Bangcoc, 3 abr (EFE).- Delegados de quase 200 países iniciaram neste domingo em Bangcoc a primeira reunião prévia à Cúpula sobre Mudança Climática da ONU em Durban (África do Sul) para continuar avançando nas negociações sobre o pacto que pretende substituir o Protocolo de Kioto.

Até a próxima sexta-feira, 2.271 funcionários governamentais, ativistas e especialistas em aquecimento global debaterão fórmulas para articular alianças e convergir pontos de vista, facilitando as discussões do encontro de novembro em Durban. A reunião da Tailândia também é a primeira desde a Cúpula de Cancún (México), onde os ministros do Meio Ambiente concordaram em destinar US$ 100 bilhões para ajudar as nações mais pobres a lutar contra a mudança climática e limitar o aumento da temperatura global a 2 graus centígrados.

AP
Cidade de Sendai, após o terremoto no Japão. Catástrofe será debatida em em Bangcoc
Esses são os dois principais assuntos da pauta da reunião, assim como as consequências da tripla catástrofe - terremoto, tsunami e crise nuclear - que atingiu o Japão há menos de um mês e vem causando diversos transtornos ao país.

A magnitude da tragédia e as incertezas sobre a situação na usina nuclear de Fukushima foram os temas mais discutidos durante o primeiro dia de trabalhos em Bangcoc, afirmou Artur Runge-Metzger, enviado da União Europeia (UE) ao evento. "Tudo isso claramente terá repercussão sobre as negociações. Por um lado, há os que dizem que não devemos utilizar energia nuclear por este risco, mas, por outro, também há os que acreditam que a causa do desastre foi justamente a mudança climática", disse o negociador alemão.

Segundo ele, a UE está em condições de cumprir a meta de que seus países-membros reduzam em 20% as emissões de gases poluentes até 2020 em relação aos níveis de 1990, e promove as fontes renováveis frente aos combustíveis fósseis e à opção atômica.

A este respeito, os ambientalistas pediram aos participantes que as autoridades acelerem essas políticas. "O mundo não tem por que escolher entre desastres provocados pela mudança climática e desastres provocados por uma fonte energética perigosa como a nuclear. Podemos escolher um futuro seguro, em que nossa sociedade seja alimentada por energias limpas", ressaltou a ONG internacional Greenpeace em comunicado.

Impasse sobre sucessor do Protocolo de Kioto continua

Já o Fundo Mundial para a Natureza afirmou que, em Bangcoc, é preciso fortalecer o "frágil compromisso" de Cancún e "impulsionar o nível de ambição das conversas se realmente quisermos evitar os piores efeitos do aquecimento global". Mas o processo continua paralisado sobre o documento que substituirá o Protocolo de Kioto, quando este expirar em 2012. Canadá, Japão e Rússia não querem prorrogar o texto atual caso China e Estados Unidos, os maiores poluidores do mundo, não aceitem adotá-lo em caráter vinculante.

Já o chamado Grupo dos 77 - países em desenvolvimento - não quer adotar o mesmo nível de compromisso que o restante para não prejudicar o crescimento de suas economias. Quem também chamou a atenção neste domingo no plenário foi o delegado da Bolívia, único país que rejeitou o acordo de Cancún. "As nações pobres e emergentes estão fazendo mais que as desenvolvidas para combater o aquecimento global", declarou o embaixador boliviano na ONU e chefe da delegação do país, Pablo Solón Romero.

O diplomata aproveitou a ocasião para ressaltar a postura da Bolívia, que demonstrou pretensões de levar o documento à Corte Internacional de Justiça (CIJ) de Haia porque, para La Paz, o texto teria violado as normas das Nações Unidas. A abertura da conferência foi marcada também por manifestantes de vários países asiáticos e africanos que protestavam, exibindo um enorme boneco do Tio Sam para criticar os Estados Unidos e outras nações industrializadas. De caráter pacífico, o ato de protesto reivindicou ao Ocidente que reconheça sua dívida com o Terceiro Mundo e aceite transferir tecnologias aos países mais pobres para, assim, financiarem a luta contra o aquecimento global.

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