Relatório aponta erros em plano de contigência da BP

Citação de especialista morto, fauna não encontrada na região e erros caracterizam projeto de resposta a um vazamento

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Petróleo na praia de Belle Terre, Louisiana, é sugado com uma espécie de aspirador
O professor Peter Lutz consta em um plano de 2009 da BP de resposta a um derramamento no Golfo do México como referência em vida selvagem dos Estados Unidos. Ele morreu em 2005. Além disso, o texto enumera uma série de animais como mamíferos como morsas, lontras leões marinhos e focas, que não vivem na região do Golfo do México. Nomes e números de telefones de especialistas em vida marinha estão errados, assim como os números da rede de resgate animal da Flórida e Louisiana, que já não estão mais em serviço.

A AP teve acesso ao plano da BP contra vazamentos na região do Golfo e suas 52 páginas destinadas especificamente a um acidente com a plataforma Deepwater Horizon possui erros e omissões. Os planos a longo prazo aprovados pelo governo federal no ano passado, antes da BP perfurar a região, subestimam riscos de uma fuga descontrolada e exageram na preparação da empresa para lidar com isso.

No improviso
O senador Bill Nelson, democrata da Flórida, disse nesta quarta-feira à AP que ele e a senadora Barbara Boxer, uma democrata da Califórnia, pediram uma investigação criminal de alguns dos pedidos da empresa. "Esse documento mostra que a empresa estava improvisando, enquanto dizia ao governo que tinha capacidade de lidar com um grande vazamento,“ disse Nelson.

Nos cenários detalhados nos documentos, peixes, mamíferos marinhos e aves escapariam de um perigo grave; praias permaneceriam intactas e a má qualidade da água seria apenas um problema temporário. Essas são as projeções de um vazamento de cerca de 10 vezes pior do que foi calculado para o desastre em curso.

Veja o infográfico da evolução da mancha de petróleo no Golfo do México

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Óleo cobre vegetação de Barataria Bay, Louisiana
Billy Nungesser, presidente da Plaquemines Parish, Louisiana, diz que há "3 mil acres (12 mil quilômetros) de pântanos mortos, e nós continuamos a perder ecossistemas preciosos todos os dias."

Há outras premissas falsas. O método proposto pela BP para calcular o volume de derramamento com base na escuridão do brilho do petróleo está desatualizado. A fórmula internacionalmente aceita produziria estimativas 100 vezes maior.

A corrente do Golfo, que acredita-se que vai espalhar o óleo por centenas de quilômetros da ponta sul da Flórida e até a costa do Atlântico, não é mencionado em qualquer plano.

O site listado para Spill Response Marine Corp - uma das duas empresas que BP depende de equipamentos para limpar um derramamento - mandam para links em uma páginas em japonês desatualizadas há tempos.

No início de maio, pelo menos 80 presos do estado de Louisiana foram treinados para limpar aves, ouvindo uma apresentação e assistindo a um vídeo. Foi uma força de trabalho nunca contemplada nos planos, que não contêm referências detalhadas de como os pássaros seriam descontaminados.

E, embora funcionários da BP e o governo federal insistem que atacaram o problema como se fosse um vazamento muito maior, não é o que aparenta pela constante mudança de planos para conter o vazamento.

Esta semana, a BP informou que a tampa de contenção instalada no poço estava canalizando parte do petróleo transportando o material para um navio na superfície. A empresa introduziu um novo conjunto de planos, visando principalmente captar mais óleo.

As últimas definições pendem para a construção de um grande tampão, utilizando um incinerador especial para queimar o óleo recapturado e trazendo em uma plataforma flutuante para processar o petróleo sendo sugado afastado do poço jorrando.

Em outras palavras, o planejamento improvisado continua.

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