Quase a metade do pescado consumido no mundo provém de criadouros

Estudo detalhou impacto ambiental da aquicultura no mundo e sugeriu práticas para evitar problemas futuros

AFP |

Quase a metade do pescado que se consome no mundo provém de criadouros, com China e outros países produtores na liderança, limitando o impacto ecológico da atividade pesqueira, indicou um estudo nesta terça-feira (14).

Com uma demanda crescente de pescado e uma capacidade limitada para aumentar a oferta, a aquicultura - a cria de mariscos e peixes em recintos fechados - manterá um forte crescimento, indicou o relatório divulgado em Washington e Bangcoc.

A WorldFish Center, uma Organização Não Governamental (ONG) que defende a redução da fome no mundo através da pesca sustentável, e a organização ambiental Conservation International destacaram que 47% dos produtos marinhos provieram  da aquicultura em 2008.

Segundo o estudo, 61% da produção mundial veio da China - grande parte dela de carpas, altamente demandantes de recursos - e cerca de 90% da Ásia.

Durante muito tempo a prática da aquicultura foi controversa, diante da preocupação dos defensores do meio ambiente com a poluição das zonas costeiras.

Mas o estudo defende que a aquicultura não é tão destrutiva como a criação de gado bovino e suíno, que provoca um forte desgaste do solo e da água e representa um fator de mudança climática.

Uma dieta vegetariana seria a melhor para o meio ambiente, mas o estudo diz que, nos países em desenvolvimento, cada vez mais gente come carne, conforme a população se muda para as cidades.

"Acredito que a probabilidade de que a demanda por produtos da aquicultura diminua é muito baixa", estimou Sebastian Troeng, vice-presidente para a conservação marinha da Conservação Internacional.

"Assim, o que precisamos saber é como assegurar, se o crescimento se mantiver, de que seja feito de modo que não represente uma carga excessiva para o meio ambiente e que se recorra às melhores práticas", explicou.

O estudo avaliou o impacto da aquicultura em áreas como o uso de energia, a acidificação e a mudança climática.

Junto com as carpas, as espécies de maior impacto ambiental incluem as moreias, o salmão, os camarões, já que são carnívoros, o que implica que essas granjas precisam importar alimento e uma maior energia externa.

Por outro lado, a criação de mexilhões, ostras e algas tem impacto menor.

O estudo considerou grandes diferenças segundo os países, dando a possibilidade de dividir as melhores práticas para limitar o impacto no entorno.

Em uma comparação, o relatório revelou que o impacto da criação de camarões na China diminuiria de 50% a 60% caso fossem usados os mesmo níveis de energia da Tailândia.

A produção da aquicultura cresceu 8,4% desde 1970 e está se expandindo a novas regiões como África, indicou o estudo, que destacou a crescente demanda de pescado no Egito e na Nigéria depois da crise da gripe aviária em meados da década de 2000.

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