Presidente da BP será sabatinado pelo Congresso dos EUA

Tony Hayward deve comparecer ao Congresso americano nesta quinta-feira, um dia depois de a empresa ter concordado em criar um fundo de R$ 36 bilhões de indenização para as vítimas do vazamento de petróleo no Golfo do México

BBC Brasil |

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Reuters
Tony Hayward, presidente da BP, deixa a Casa Branca após reunião com Barack Obama na última quarta-feira
O presidente-executivo da BP, Tony Hayward, deve comparecer ao Congresso americano nesta quinta-feira, um dia depois de a empresa ter concordado em criar um fundo de US$ 20 bilhões (R$ 36 bi) de indenização para as vítimas do vazamento de petróleo no Golfo do México. A expectativa é de que Hayward diga ao Congresso que está "pessoalmente devastado" com a tragédia.

A empresa anunciou que não vai pagar dividendos aos acionistas, para economizar dinheiro dirigido ao fundo. A BP também anunciou que o dispositivo colocado sobre o vazamento há alguns dias voltou a operar depois de ser desligado brevemente.

O dispositivo, que busca coletar o petróleo vazado e canalizá-lo para um navio na superfície, foi desligado por cinco horas na terça-feira, depois de o barco em que o petróleo é estocado ter sido atingido por um raio. Na quarta-feira, a BP anunciou que um outro sistema de contenção foi lançado, desenhado para trazer o óleo e o gás para serem queimados na superfície.

'Acidente complexo'

Hayward, que vinha sendo duramente criticado pela sua atuação na crise, deve prestar depoimento ao Congresso nesta quinta-feira à tarde. A BP divulgou trechos de um texto que ele deverá ler diante do comitê, como esse: "Entendo totalmente a terrível realidade da situação".

O executivo também deve explicar aos congressistas em que pé está a investigação interna da BP sobre o vazamento. "Entendo que as pessoas querem uma resposta simples sobre por que isso ocorreu e quem é responsável", ele deverá dizer.

"A verdade, no entanto, é que este é um complexo acidente, causado por uma combinação de falhas sem precedentes." A BP concordou em pagar US$ 5 bilhões do fundo até o fim de 2010. O restante será pago ao longo dos próximos três anos. O acordo foi anunciado pelo presidente americano Barack Obama depois de se reunir com executivos da empresa na quarta-feira, na Casa Branca.

"Vamos continuar a responsabilizar a BP e todos os outros envolvidos", afirmou Obama. "E estou absolutamente confiante que a BP vai cumprir suas obrigações com a costa do Golfo e com os americanos."

"A BP é uma companhia forte e viável e é de nosso interesse que ela assim permaneça." Obama insistiu que não haja um teto para o fundo de indenização da BP. Analistas afirmam acreditar que as finanças da empresa sejam firmes o suficientes para resistir às despesas com o vazamento.

Ameaça

Políticos americanos acusaram a BP de não seguir os procedimentos apropriados depois da explosão da plataforma de exploração Deepwater Horizon no último dia 20 de abril.Onze funcionários morreram na explosão, que fez com que a plataforma afundasse e causou o vazamento. Desde então, centenas de milhares de barris de petróleo já vazaram no Golfo do México.

Parte deste petróleo já chegou à costa de alguns Estados na região e o vazamento ameaça prejudicar negócios e a vida selvagem na região.A mancha no mar já paralisou a indústria pesqueira na região e fez com que a BP perdesse bilhões de dólares de seu valor de mercado.

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