Pré-sal: Petrobras articula cooperação internacional de segurança

Petrolífera afina compromissos de ajuda mútua com empresas e prevê R$ 118 milhões em equipamentos de contenção de vazamentos

Bruno Rico, enviado a Manaus |

Após o acidente da British Petroleum, em abril, a Petrobras reviu sua relação com associações internacionais de contenção de vazamentos de óleo e derivados. Segundo o gerente de articulação e contingência, Jayme Seta Filho, no Golfo do México, “os recursos mobilizados ultrapassam em 20 vezes” o que a gigante brasileira dispõe. Por isso, além dos R$ 118 milhões que serão investidos nos próximos dois anos em equipamentos de contenção de vazamentos, a Petrobras está empenhada em ampliar a cooperação internacional em caso de grandes acidentes.

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No Mobex, encontro internacional sobre o tema, que ocorre desde quarta-feira (01/12) em Manaus, a petrolífera expôs seus números. Em um caso de emergência, a empresa teria capacidade de mobilizar cerca de 500 agentes em até 24 horas. Para se ter uma ideia, até o terceiro mês de vazamento da BP, 38 mil pessoas foram mobilizadas.

Um dos equipamentos usados no Golfo do México chama-se ADDS (Aerial Dispersant Delivery System). Ele serve para lançar dispersantes químicos por aeronave no mar e facilitar a contenção e coleta do material. A Petrobras ainda não tem esse equipamento. Pretende comprá-lo até o final de 2011. A associação internacional com a qual a empresa tem contrato de adesão, Clean Caribbean & Americas (CCA), tem e pode emprestá-lo a qualquer momento. Além disso, uma articulação com o governo faz-se necessária. O avião capaz de carregar o equipamento é o Hércules C-130, que apenas a Marinha dispõe.

Jayme Seta Filho explica que nenhuma empresa de exploração de petróleo no mundo teria capacidade para conter sozinha o acidente nos EUA e que a cooperação internacional está na agenda mundial das empresas.

Bruno Rico, iG
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Em virtude do monopólio exercido nas últimas décadas, a exploradora brasileira tem à disposição recursos maiores do que as associações internacionais. São 30 embarcações de grande porte, 130 de apoio, 150 quilômetros de barreiras de contenção e 200 mil litros de dispersantes químicos. A CCA possui bem menos: 10 quilômetros em barreiras de contenção. Mas a OSLR, que atua no Reino Unido, tem outros 25 quilômetros. A NOFO, que atua no Mar do Norte, mais 45 quilômetros. E a Marine Spill Response Corporation, 200 quilômetros.

Após um acidente ocorrido na Baia de Guanabara, em 2000, a Petrobras criou unidades de apoio com técnicos de prontidão 24 horas por dia para atender vazamentos. São os Centros de Defesa Ambiental. Segundo o gerente de articulação e contingência, foram investidos U$ 120 milhões (R$ 203 milhões) em equipamentos desde então. E novos U$ 70 milhões (R$ 118 milhões) estão previstos para os próximos dois anos. Especialmente para o pré-sal, recolhedores de alta vazão e barreiras de alta capacidade serão comprados. Nesta leva, o ADDS será adquirido.

A Petrobras também articula com Ministério do Meio Ambiente maior agilidade na passagem de recursos internacionais pela alfândega. Mesmo no simulado feito no Rio Negro durante o Mobex, com apoio da Marinha e supervisão do Ibama, houve lentidão. “Tivemos dificuldades no teste”, disse Seta Filho. Barreiras de contenção provenientes de Miami, onde fica a sede da CCA, teriam demorado para ser liberadas. Mas ele afirma que não falta empenho: “O Ministério do Meio Ambiente está bastante engajado em acelerar o processo”.

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