Premiê britânico defende BP, empresa mantém testes em poço

David se encontra com Barack Obama e senadores dos EUA enquanto a empresa monitora pressão no poço danificado do Golfo do México

Reuters |

O premiê britânico, David Cameron, defendeu a BP nesta terça-feira, antes de um encontro com senadores dos EUA sobre o papel que a empresa teria desempenhado na libertação de um líbio preso pela explosão de um avião dos EUA. Enquanto isso, a petrolífera mantinha os testes em seu poço danificado no Golfo do México.

Acompanhe a evolução do vazamento de petróleo do Golfo no infográfico do iG

As ações da BP chegaram a disparar 2,9 por cento, após Thad Allen, principal autoridade dos Estados Unidos para o vazamento de petróleo da BP no Golfo do México, afirmar que uma infiltração detectada a cerca de três quilômetros do poço não havia sido causada pelos testes de pressão realizados pela empresa.

O poço foi tampado com sucesso e o vazamento contido na última quinta-feira.

Essa tendência, no entanto, se reverteu e, depois de operarem em baixa, os papéis da companhia na bolsa de Londres operavam em alta menos acentuada no final da manhã desta terça.

Três meses depois da explosão que matou 11 funcionários e iniciou o vazamento de milhares de barris de petróleo no Golfo do México, a BP continuava monitorando a pressão dentro do poço. Se ele resistir, ficará mais fácil interromper definitivamente o vazamento no mês que vem, quando deve ficar pronto um poço auxiliar a partir do qual os técnicos irão "sufocar" o poço danificado.

O vazamento, pior desastre ecológico da história dos EUA, começou em 20 de abril e causa graves prejuízos ambientais e econômicos.

Além das críticas que tem sofrido por conta do vazamento no Golfo do México, a BP também está sendo investigada pelo papel que teria desempenhado na libertação do líbio Abdel Basset al-Megrahi, condenado pelo atentado de 1988 a bordo de um avião da Pan Am sobre a cidade escocesa de Lockerbie.

A BP confirmou que fez lobby junto ao governo britânico em 2007 sobre um acordo de transferência de prisioneiros por temores de que seus interesses comerciais na Líbia estariam sendo prejudicados. A empresa, no entanto, disse que não se envolveu nas conversações sobre al-Megrahi.

Cameron, que além de senadores também se reunirá com o presidente norte-americano Barack Obama em sua visita a Washington, disse à Rádio Pública Nacional: "É claro que a BP tem de fazer todo o necessário para tampar o poço de petróleo, para limpar o vazamento, para pagar compensações. Sei que eles querem fazer isso e que farão isso".

"Mas... vamos deixar claro quem libertou al-Megrahi. Foi uma decisão de governo no Reino Unido. Foi a decisão errada. Não foi a decisão da BP. Foi a decisão dos ministros escoceses", acrescentou.

Jason Kenney, analista de petróleo do ING em Edimburgo, disse que a questão está sendo usada como uma um porrete para bater na BP. "(Cameron) deveria dizer aos senadores para se acalmarem", afirmou.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG