Prefeitos pedem voz em Conferência da ONU sobre clima

Durante cúpula em São Paulo, dirigentes afirmaram que cidades deveriam liderar discussões sobre políticas ambientais

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Agência Estado
Andrés Pastrana, da Colômbia, Clover Moore, de Sidney, Gilberto Kassab, Eckart Würzner, prefeito de Heidelberg e Edward Yau, de Hong Kong, durante a C40
Prefeitos de várias partes do mundo reivindicaram hoje a participação direta nas próximas edições da Conferência das Nações Unidas Sobre Mudanças Climáticas (COP). Durante a Cúpula C40, que reúne autoridades das metrópoles para debate sobre o meio ambiente, em São Paulo, os prefeitos alegaram que as cidades têm um papel importante na implementação de iniciativas de adaptação ao aquecimento global e que deveriam negociar as políticas públicas relacionadas ao tema diretamente com os governos federais.

Por trás desse argumento, também estão em jogo os recursos oriundos de órgãos internacionais para financiar projetos ligados ao meio ambiente. Ontem, na C40, o Banco Mundial formalizou um acordo para que os governos municipais tenham acesso direto ao fundo de US$ 6,4 bilhões da instituição para projetos na área ambiental.

"Como cidades líderes, deveríamos participar das discussões diretamente com os governos federais, o que ainda não acontece nas COPs", afirmou Eckart Würzner, prefeito de Heidelberg, na Alemanha. Ele acrescentou que quase 70% das ações de adaptação às mudanças climáticas serão implementadas nas áreas urbanas, o que evidencia a importância das prefeituras nas discussões.

O discurso foi endossado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Ele lembrou que os governos municipais são responsáveis pelo contato direto com os cidadãos e que os serviços públicos também estão ligados à emissão de gases causadores do efeito estufa, como rede de transportes, coleta de lixo, construção de parques e plantio de árvores. "Por isso, os municípios devem participar das discussões sobre o clima e das soluções", afirmou.

Tradicionalmente, as conferências das Nações Unidas são encontros de países. Em 1997, em Kyoto, no Japão, vários países assinaram o protocolo que estabelece metas de redução das emissões de gases poluentes.

Hoje, a prefeita da cidade australiana de Sydney, Clover Moore, defendeu que as cidades tenham um porta-voz nesses encontros e apontou como possível representante o presidente da Rede C40, Michael Bloomberg, também prefeito de Nova York. "Nem sempre há um acordo entre os municípios e os governos federais. Então é necessária a presença de alguém como Bloomberg, que nos represente", disse ela.

Ontem, o prefeito de Buenos Aires, Maurício Macri, também reclamou dos desentendimentos entre as esferas do Executivo. "Às vezes, há diferença política entre o governo federal e o municipal. Isso leva as cidades a ficar com apenas uma pequena parcela dos recursos (de financiamentos internacionais)", disse Macri, ao elogiar o acordo anunciado pelo Banco Mundial.

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