Prefeita de Paris: "Não se pode mais dividir uma cidade em zonas"

Prefeita Anne Hidalgo diz que cidades não podem mais ser divididas em áreas comercial e residencial e industrial

Fernanda Simas, iG São Paulo |

A imagem de uma cidade dividida em zonas comercial, residencial e industrial deve ficar cada vez mais na memória das pessoas. Isso porque o novo conceito de cidade compacta ganha espaço onde não há mais espaço físico para crescimento, mas independente disso a população aumenta e, consequentemente, toda estrutura precisa crescer.

Paris tem 2 milhões de habitantes e é a cidade mais densa da Europa, enfrentando problemas de transporte, moradia e emprego. Uma forma encontrada na cidade de melhorar o trânsito foi o uso da bicicleta como meio de transporte e não mais “apenas como uma imagem bonita para os cartões postais”, contou a prefeita de Paris, Anne Hidalgo.

Mas para ela, a resolução não está apenas em melhorar cada problema de forma isolada. “Não se pode mais dividir uma cidade em zonas (de trabalho, de moradia, de lazer). É preciso misturar essas zonas”, explica Anne ressaltando que quem mora nas áreas periféricas das cidades precisam se deslocar todos os dias para o trabalho.

Com essa mistura, Anne afirma que o convívio social entre classes diferentes vai ocorrer e isso é outro benefício para as grandes cidades. “Se só vive uma classe de pessoas [por região], a cidade não funciona”, opina a prefeita.

Essa separação em zonas também acontece em São Paulo e é um dos grandes fatores prejudiciais ao trânsito na cidade de 11 milhões de habitantes. “Isso é perverso. As pessoas perdem três, quatro horas [se deslocando] e deixam de se divertir”, afirma o secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Miguel Bucalem, analisando um mapa da cidade que mostra que na região central existem mais de dez empregos por habitantes, enquanto nas áreas periféricas esse número é de menos 0,1, ou seja, existem mais pessoas do que empregos.

Para o secretário, o grande desafio da cidade paulistana é justamente reverter essa situação. Para isso, Operações Urbanas estão sendo estudas e projetos prevêem a criação de mais áreas verdes, espaços para lazer e até empregos em áreas com espaços físicos ociosos. Uma dessas operações, a Lapa-Brás, deve durar cerca de vinte anos para ser concluída, segundo Bucalem, e criará uma malha viária ligando as zonas leste e oeste de São Paulo, permitindo a demolição do Elevado Costa e Silva, conhecido como minhocão.

Nova Luz

Outro projeto já em fase de discussão é o da Nova Luz, que inclui a transformação de uma área de 45 quadras, com a implantação de calçadas mais largas, arborização e de novos espaços culturais. Para Bucalem, algumas centenas de pessoas serão afetadas e precisarão se retirar do local, mas “unidades de aluguel e moradias serão oferecidas, de acordo com o estabelecido pela Secretaria de Habitação.”

O secretário afirma que a população atual da região, de 11,5 mil habitantes, passará para 20 mil com as mudanças. Mas, o mais importante para ele, é que o projeto vai permitir a convivência de pessoas de diferentes classes sociais, oferecendo trabalho e lazer para todos e “garantindo o balanço adequado para as várias faixas de renda.”

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