Petroleiras nos EUA estão despreparadas para acidentes, diz parlamentar

Congresso dos EUA recebe documentos que comprovam que a BP negligenciou a segurança da plataforma que explodiu no Golfo do México

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A partir da esquerda, os CEOs Rex Tillerson da ExxonMobil, John Watson da Chevron, James Mulva da ConocoPhillips, Marvin Odum da Shell e Lamar McKay da BP EUA
Grandes petroleiras que operam na costa americana são tão despreparadas quanto a British Petroleum (BP) para lidar com vazamentos de petróleo, declarou nesta terça-feira o chefe de uma comissão do Congresso dos Estados Unidos, Henry Waxman.

Waxman disse à Subcomissão de Energia e Comércio da Câmara dos Representantes (deputados federais) que ExxonMobil, Chevron, ConocoPhillips e Shell têm planos de resposta idênticos aos da BP.

Veja a evolução do vazamento do Golfo do México no infográfico do iG

A petroleira vem tentando conter o vazamento em uma plataforma que explodiu e afundou no Golfo do México em abril. Na abertura da sessão da comissão, que discutiu perfurações de petróleo em alto mar, Waxman disse que as outras empresas "não estão mais preparadas que a BP para lidar com vazamentos" e que seus planos de emergência seriam apenas "exercícios teóricos".

"A BP falhou miseravelmente quando confrontada com um vazamento real e nos perguntamos se (as outras) fariam melhor", disse.

Vício
Waxman repetiu uma declaração já feita anteriormente pelo ex-presidente americano George W. Bush, que disse que os Estados Unidos são "viciados em petróleo".

"Esse vício está destruindo nossas praias, poluindo a atmosfera e pondo em risco nossa segurança nacional."

A plataforma Deepwater Horizon explodiu no dia 20 de abril, matando 11 empregados e iniciando o vazamento que calcula-se que esteja despejando diariamente cerca de 35 mil barris de petróleo no Golfo. Uma espécie de funil coletor colocado sobre o poço, localizado a 1,5 mil metros de profundidade, estaria capturando cerca de 15 mil barris por dia de petróleo.

Complacência
Presidentes de petroleiras, incluindo o chefe da BP nos Estados Unidos, Lamar McKay, compareceram ao comitê nesta terça-feira, e todos garantiram que suas empresas estão comprometidas com procedimentos de segurança. "Nós não realizamos operações se não pudermos fazer isso com segurança", disse Rex Tillerson, principal executivo da ExxonMobil.

O presidente da BP nos Estados Unidos, Lamar McKay, pediu desculpas pelo vazamento no Golfo, mas não confirmou se a empresa pretende criar um fundo especial para compensar as vítimas, como pedido pelo governo americano.

Na quinta-feira o presidente mundial da BP, Tony Hayward, deve ser questionado pelo Congresso especificamente sobre o vazamento no Golfo do México. Ele recebeu no domingo uma carta do comitê com questões técnicas. "Parece que a BP escolheu repetidamente procedimentos arriscados para reduzir custos, economizar tempo e fez o mínimo esforço para conter o risco adicional. Se foi isso que aconteceu, a falta de cuidado e a complacência da BP causaram um dano pesado ao Golfo, seus habitantes e aos trabalhadores no poço", disse a carta.

A carta cita comunicações internas entre engenheiros da BP, antes do acidente de 20 de abril, nas quais eles descrevem a plataforma Deepwater Horizon como sendo "um pesadelo de poço". Devem ser questionados o projeto do poço que vazou, preparações para os testes e garantias de que o local estava suficientemente selado no topo.

Um email datado de 16 de abril sugere que a BP rejeitou o conselho de uma empresa contratada, a Halliburton, de reforçar mais a estrutura para fechar o poço. No email, um executivo da BP envolvido na decisão disse que o reforço sugerido pela Halliburton "demoraria 10 horas para ser instalado. Não gosto disso".

Outro executivo disse em um email no mesmo dia que reconhecia os riscos de prosseguir sem o reforço extra, mas disse que "quem liga? Está decidido, fim da história, provavelmente vai ficar tudo bem". O presidente americano, Barack Obama, deve fazer um pronunciamento de TV nesta terça-feira para explicar o que o governo fará sobre a questão.

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