Pesquisa da UE questiona credenciais verdes dos biocombustíveis

Investimento europeu em biocombustíveis foi reduzido por causa de dúvidas em relação ao setor e ao desafio climático

Reuters |

Uma investigação na União Europeia sobre os biocombustíveis que durou um ano concluiu que algumas das credenciais verdes deste combustível podem ser comprometidas por efeitos colaterais, que precisam ser solucionados, disseram oficiais da UE.

A indústria multibilionária teme a imposição de futuras barreiras contra biocombustíveis não-sustentáveis produzidos a partir de alimentos, mas o esperado relatório da Comissão Europeia não deverá propor novas ações. Ao contrário, deve recomendar mais seis meses de estudo.

O relatório vem após um ano de batalhas internas entre especialistas da Comissão, que colocaram em dúvida os planos da UE de criar um mercado de 17 bilhões de dólares por ano para biocombustíveis de produtores como a França, Alemanha, Brasil, Malásia e Indonésia.

O investimento europeu em biocombustíveis foi reduzido à metade devido às dúvidas sobre as credenciais verdes do setor e ao desafio climático.

"Agora devemos promover segurança em sustentabilidade e segurança para investidores nos setores da UE de combustíveis e transporte e para os países produtores", disse o comissário de Energia da UE, Guenther Oettinger, quando questionado sobre o relatório.

Perigo concreto
A recente incerteza sobre os investimentos tem sido provocada por um novo conceito conhecido como "uso indireto da terra" (Iluc, na sigla em inglês).

Na essência, isso significa que se uma lavoura de grãos for substituída por uma cultura para biocombustíveis, alguém, em algum lugar, vai passar fome, a menos que as toneladas perdidas sejam cultivadas em outro lugar.

As culturas que podem sofrer com isso, frequentemente, vêm de zonas tropicais, encorajando produtores a buscar novas terras em regiões férteis de florestas. A queima destas áreas pode aumentar em grande quantidade a emissão de gases de efeito estufa, cancelando benefícios trazidos por biocombustíveis.

"(A mudança do) uso indireto da terra é um perigo concreto", disse Oettinger. "É um processo econômico normal que os acres agrícolas sejam usados para produção de biocombustíveis".

"Há um perigo que o desmatamento ocorra", acrescentou. "É de nosso interesse ter um instrumento para evitar este processo".

A Comissão realizou 15 estudos em diferentes culturas usadas para biocombustíveis, com a conclusão média de que na próxima década as políticas europeias de biocombustíveis sofram um impacto direto igual ao de 4,5 milhões de hectares de terra -- uma área do tamanho da Dinamarca.

Se isso ocorrer com a limpeza de áreas selvagens, como normalmente dita a economia, isso resultaria em uma emissão exclusiva de 200 milhões de toneladas de carbono -- praticamente o mesmo que as emissões de combustíveis fósseis pela Alemanha, de acordo com cálculos da Reuters.

Último passo
Os ambientalistas e muitos políticos querem algum tipo de redução ao incentivo aplicado aos biocombustíveis que são produzidos a partir de alimentos para refletir tal impacto.

A indústria argumenta que o assunto deve ser tratado com uma grande revisão na estratégia agrícola para melhorar a produtividade. Mas, principalmente, espera alguma clareza para que possa planejar seus investimentos.

Oettinger disse que a ciência ainda está muito incerta. "É muito difícil ter um balanço detalhado sobre o processo acre por acre", disse ele. "Nós precisamos ter mais tempo para apresentar uma proposta melhor", disse. Ele não revelou quais são suas opções para solucionar o Iluc.

Uma fonte da UE disse que a Comissão Europeia deve olhar para várias opções, incluindo aumentar o percentual mínimo de economia de emissão de gases de efeito estufa para Biocombustíveis que deverão ser contabilizados para atingir a meta de 10 por cento da UE para fontes renováveis no sistema rodoviário até 2020.

Outras opções incluem um fator de penalidade para biocombustíveis com alta influência no Iluc, ou um "critério de sustentabilidade" para reduzir tal impacto. "O último passo será uma proposta do (comissário para o clima) Connie Hedegaard e o meu, em julho do próximo ano antes do intervalo de verão", disse Oettinger.

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