Peixinho de 15 centímetros salva ecossistema africano

Espécie endêmica da costa da Namíbia, na África, consegue restaurar cadeia alimentar de ecossistema afetado pela pesca da sardinha

Thiago André, especial para o iG |

Science/AAAS
O pequeno peixe goby conseguiu salvar sozinho seu ecossistema

A pesca da sardinha realizada nas décadas de 1960 e 1970, juntamente com condições ambientais desfavoráveis, fez com que o ecossistema de Benguela, na costa da Namíbia, na África, entrasse em colapso. A região foi tomada por colônias de águas-vivas e micróbios, de acordo com artigo que acaba de ser publicado na revista Science. Mesmo com toda esta mudança, uma espécie de peixe vem revertendo sozinha este cenário.

Cientistas da Europa, Estados Unidos e África verificaram que o pequeno peixe de 15 centímetros, o goby ( Bibarbatus sufflogobius ), que só existe na região, conseguiu não apenas sobreviver às novas condições ambientais, mas também restaurar a cadeia alimentar do ecossistema.

De acordo com o trabalho, que estudou as mudanças no ecossistema ao combinar análises das condições da água com experiências sobre o comportamento e a fisiologia do goby, os peixinhos prosperaram de maneira excepcional no local, apesar de terem experimentado uma maior predação por aves como gansos e gaivotas e outros peixes maiores, como a pescada e o carapau, que também tinham o hábito de comer sardinhas.

A água da costa namibiana perdeu oxigênio, e sua lama começou a ter altos teores de sulfeto. Essas condições foram ótima para os gobies, capazes de viver em condições mais extremas. Eles se alimentavam do sulfeto da lama e a usavam como moradia. Não bastasse isso, também começaram a comer as água-vivas que invadiram a região, reorganizando toda a cadeia alimentar.

"Ainda não sabemos se os gobies estão se alimentando das água-vivas mortas do fundo do mar ou se eles estão conseguindo chegar até as camadas com mais oxigênio para comer o animal vivo", disse Victoria Braithwaite, professora do Departamento de Biologia da Universidade de Bergen, na Noruega, em comunicado à imprensa. "De alguma forma, o gobies estão suportando esse novo ambiente tóxico, mas também não sabemos exatamente como eles fazem isso", complementou.

O estudo foi desenvolvido ainda por pesquisadores da Universidade de Oslo e do Instituto Norueguês de Investigação da Água, na Noruega, da Universidade de Estocolmo, na Suécia, da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos, da Universidade de Ciência e Tecnologia de Thuwai, na Arábia Saudita, da Universidade de Western Cape, na África do Sul, e do Centro Nacional de Pesquisas e Informações da Marinha e do Ministério das Pescas e Recursos Marinhos, ambos na Namíbia.

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