Países emergentes são criticados na cúpula da biodiversidade

Falta de flexibilidade e uso de metas de preservação como moeda de troca para obter concessões seriam maiores problemas

EFE |

A falta de flexibilidade de alguns países emergentes foi criticada hoje (21) na convenção da ONU sobre a biodiversidade realizada desde segunda-feira na cidade japonesa de Nagoia, informou a imprensa local. A 10ª Conferência das Partes (COP-10), da Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU, pretende culminar em um plano estratégico para proteger a biodiversidade até 2020 e um protocolo sobre os benefícios compartilhados pelo uso dos recursos genéticos.

"O cumprimento das metas para a preservação da biodiversidade está sendo utilizado (pelos países emergentes) como moeda de troca para obter concessões das nações desenvolvidas com relação aos recursos genéticos", disse hoje um negociador japonês à agência de notícias local "Kyodo".

Os interesses dos países emergentes nas discussões se focam nos recursos genéticos de plantas e micro-organismos e o acesso equitativo aos benefícios derivados de seu uso. Alguns países como o Brasil - que tem uma grande riqueza de recursos genéticos, muitos deles dentro do território amazônico - pediram que os objetivos de conservação e o protocolo sejam adotados conjuntamente na COP10, onde participam representantes de 193 países.

Para o diretor de biodiversidade da ONG WWF, Günter Mitlacher, as conversas não progrediram porque as posições dos países emergentes são tão firmes que não é possível negociar, segundo "Kyodo". Nas discussões sobre a biodiversidade, os defensores das propostas mais ambiciosas, como a União Europeia e a Noruega, propuseram tornar 15% dos oceanos áreas de proteção ambiental.

Em um dos subcomitês para fixar as metas posteriores a 2010, o Brasil criticou o plano europeu por considerá-lo exagerado, enquanto a China pediu que a área de proteção seja reduzida a 6% dos oceanos, devido a limitações no financiamento. Os países emergentes declararam que, para alcançar os objetivos propostos pela União Europeia e pela Noruega, a ajuda financeira atual deveria ser multiplicada por cem.

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