Painel da ONU pede a adoção de novas vias de desenvolvimento

Relatório lista 56 recomendações para a realização de uma mudança no modelo econômico atual

EFE |

Um painel de especialistas e políticos de alto nível formado pela Organização das Nações Unidas ressaltou nesta segunda-feira (30) a urgência de adotar novas vias de desenvolvimento para salvar o mundo de uma crise econômica até mais grave que a vivida atualmente e para assegurar sua sustentabilidade.

O Painel sobre Sustentabilidade Global, formado por 22 membros e que foi estabelecido pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em agosto de 2010, apresentou seu primeiro relatório, que contém 56 recomendações para realizar uma mudança no modelo econômico atual.

"Trata-se de uma proposta concreta e com visão de futuro para conseguir um desenvolvimento sustentável", afirmou o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, co-presidente do painel, durante a apresentação do documento no Centro de Convenções da ONU em Adis-Abeba.

"Os modelos econômicos do passado perderam fôlego e esgotou o tempo para deles", acrescentou Zuma.

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"Tanto a ciência como a economia nos dizem que as vias atuais são insustentáveis" disse Ban Ki-moon, presente durante o ato de apresentação do documento elaborado pelo Painel, presidido por Zuma e o presidente finlandês, Tarja Halonen.

Segundo Zuma, o relatório intitulado "Pessoas Resilientes, Planeta Resiliente: Um Futuro que Vale Escolher" proporciona um roteiro que ajudará aos Governos, o setor privado e outros atores a atingir o desenvolvimento sustentável.

Além disso, o relatório do Painel ressalta a importância de outorgar mais poder à mulher e assegurar que ela desempenha um papel importante para alcançar um sistema sustentável.

Além de apresentar suas recomendações, o Painel pediu à ONU que forme vários organismos novos que atendam às necessidades de futuras vias de desenvolvimento, entre eles uma força conjunta que desenhe um plano para o período posterior a 2015, quando chegam ao fim os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

O Painel pede a instauração de novos indicadores do desenvolvimento, além do Produto Interno Bruto (PIB), e sugere que sejam utilizados fundos públicos para impulsionar o setor privado em direção a uma economia sustentável.

Ban está atualmente em Adis-Abeba para participar da 18ª Cúpula de chefes de Estado e Governo da União Africana (UA), que foi inaugurada no domingo e termina nesta segunda.

Nesta cúpula, os participantes estão tratando de assuntos como o conflito da Somália, a insegurança na região do Sahel e a disputa petrolífera entre Sudão e Sudão do Sul.

WWF elogia relatório
O Fundo Mundial para a Natureza (WWF) elogiou nesta segunda-feira (30) o relatório da ONU sobre sustentabilidade. "O relatório é muito forte e nos surpreendeu. Faz uma chamada para as grandes reformas econômicas que achamos totalmente necessárias e, por isso, pedimos que estas sejam transformadas em compromissos obrigatórios", afirmaram fontes do WWF.

"A WWF se felicita com o relatório pelo incentivo do consumo responsável, por tramitar recursos de forma sustentável e, principalmente, porque convoca os líderes políticos a criar as condições necessárias para permitir uma 'Revolução Verde no século 21'", declarou a organização.

"É a primeira vez que líderes políticos são convocados para essa revolução. Tudo está muito bem, mas essas afirmativas devem ser concretizadas", acrescentaram as fontes.

Segundo a WWF, o texto é um "digno sucessor" do relatório "Nosso futuro comum", que serviu de base para a primeira Cúpula da Terra Rio 1992, e "é considerado por muitos como o início do movimento mundial em prol do meio ambiente".

Entre outros anúncios alarmantes, o relatório afirma que, apesar de já estarmos excedendo a capacidade da Terra, vamos precisar de 50% a mais de comida, 45% de energia e 30 % de água já no ano de 2030.

"No painel, participaram representantes da África do Sul, Brasil, Estados Unidos, a Comissão Europeia, etc. Eram pesos pesados e, por isso, nos faz pensar que o relatório vai ter transcendência em suas opções políticas e que tomarão posições progressistas na Rio+20 ".

O WWF considera que a cúpula de Rio deve firmar um acordo que realmente questione as bases do sistema atual e tome as medidas necessárias para reverter uma situação que muitos chamam de insustentáveis.

Por outro lado, a WWF lamenta que o relatório não faça insistência suficiente para evidenciar as consequências sociais que nosso atual sistema atual de consumo possui.

"Para que haja uma mudança real, devemos levar em conta os aspectos sociais, como a erradicação da pobreza, a igualdade de gênero, a distribuição dos recursos, o avanço da educação e a criação de emprego. As recomendações têm que unir o bem-estar social com a saúde meio ambiental", concluíram.

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