Painel climático da ONU decide fazer mudanças internas

Entre as reformas está a intensificação de checagem de relatórios e a redução no mandato do líder do painel

Reuters |

O painel da ONU formado por cientistas especialistas em clima decidiu nesta quinta-feira (14) modificar suas práticas, por causa de erros em um relatório de 2007, e seu presidente, Rajendra Pachauri, da Índia, rejeitou sugestões de que deveria deixar o cargo.

Em uma reunião realizada entre 11 e 14 de outubro em Busan, na Coreia do Sul, o painel de 130 países decidiu intensificar as checagens de dados factuais em relatórios que ajudam a guiar as políticas climáticas e energéticas mundiais e criar uma força-tarefa que, até meados de 2011, deve definir reformas mais amplas.

"Modificações e aprimoramentos são vitais para o IPCC", disse Pachauri em coletiva de imprensa realizada por telefone pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, entidade que dividiu com o ex-vice-presidente norte-americano Al Gore o Prêmio Nobel da Paz de 2007.

O IPCC vem sendo criticado por erros contidos em seu último relatório, de 2007, em especial a projeção de que o aquecimento global poderia levar ao derretimento de todas as geleiras do Himalaia até 2035, séculos antes da previsão mais pessimista.

O Conselho Interacadêmico (IAC), que agrupa especialistas de academias nacionais de ciências, pediu em 30 de agosto uma "reforma fundamental" na direção do IPCC e disse que os líderes do painel devem cumprir apenas um mandato de seis anos, em lugar do máximo atualmente permitido, de dois mandatos.

Pachauri, que em 2008 foi reeleito para um segundo mandato, disse que se o limite de um mandato for adotado será aplicado apenas aos líderes futuros do IPCC, depois de ele deixar o cargo em 2014, após apresentar o próximo relatório.

"Pretendo continuar até ter completado a missão que aceitei", disse ele.

Em entrevista posterior dada à Reuters, ele declarou que consideraria "abandono do dever" entregar o cargo na metade do mandato. E disse que há benefícios que decorrem da continuidade e da experiência.

Pachauri afirmou também que a constatação básica feita pelo IPCC em 2007 - que é pelo menos 90 por cento certo que atividades humanas, principalmente o uso de combustíveis fósseis, são a causa principal do aquecimento global recente -- não foi afetada pelos erros.

Pachauri também rejeitou sugestões de que o IPCC deveria apresentar relatórios mais frequentes. "O conhecimento vem avançando rapidamente, mas não tão rapidamente para justificar a produção de relatórios com frequência maior", disse ele.

O IPCC acordou novas diretrizes para tornar mais rígidas as averiguações, além de normas para a correção de erros e para o tratamento de materiais que não foram submetidos à revisão de outros cientistas.

Pachauri disse à Reuters que o próximo relatório vai analisar mais a fundo questões como a geoengenharia, ou seja, maneiras de interferir no clima global, como refletir a luz do sol com espelhos ou fertilizar os mares para incentivar o crescimento de algas que absorvam o carbono.

Especialistas estão estudando novas maneiras de desacelerar o aquecimento global, desde que a cúpula de Copenhague, no ano passado, não conseguiu chegar a um acordo para um tratado compulsório de redução das emissões de gases do efeito estufa.

Entre outras áreas, o painel vai procurar estudar mais sobre a elevação do nível dos mares e como as nuvens vão se formar em um mundo mais quente, onde haverá mais umidade no ar. Os topos de nuvens brancas podem refletir a luz do sol e manter o planeta mais fresco.

    Leia tudo sobre: mudança climáticaaquecimento globalonuipcc

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG