Os dois Fóruns da Água concordam que só falar não basta, mas divergem nas soluções

Eventos em Marselha discutem crise mundial do abastecimento de água no mundo

AFP |

Os participantes do Fórum Mundial da Água "oficial", que acontece em um grande Parque de Exposições, e do alternativo, que reúne ecologistas, concordam que "apenas discutir sobre a crise da água não basta", mas diferem nas soluções.

O VI Fórum Mundial da Água, organizado pelo Conselho Mundial da Água, criado pelas duas maiores transnacionais da água, e que contou com a participação de ministros e responsáveis pela água e Meio Ambiente de 140 países, teve como lema: "é hora de soluções".

Veja a cobertura do Fórum Mundial da Água:
Produzir uma xícara de café demanda 140 litros d'água, diz WWF

Fórum Alternativo da Água denuncia as grandes represas
ONU alerta sobre ameaça de falta de abastecimento de água
Fórum Mundial da Água começa em Marselha de olho na Rio+20
Agricultura usa 92% da água doce do planeta

Isto foi repetido em quase todas as palestras, intervenções e mesas redondas neste fórum de seis dias, que teve início na segunda-feira com um alerta das Nações Unidas de que se nada for feito o planeta terá sede."Discutir sobre as mudanças climáticas e seus efeitos na crise da água não é suficiente, chegou o momento de implementar soluções", declarou o diretor da Comissão Nacional da Água do México (CONAGUA), José Luis Luege, que presidiu a mesa sobre "Água e Adaptação as Mudanças Climáticas".

Esta mesa se concentrou "nas soluções que devem ser implementadas em nível global, regional, nacional e local", para o "manejo sustentável da água em um contexto de mudanças climáticas", enfatizando "a importância da governabilidade".Para o Fórum Alternativo Mundial da Água também não basta falar. "Nós divergimos nas soluções propostas para enfrentar o problema da água", declarou à AFP Christiane Hansen, da Aquattac, uma "rede alterglobalização" centrada no problema da água.

"As grandes empresas por detrás do Fórum oficial procuram fazer negócios com a água, vendendo-a aos que podem pagar. Nós buscamos soluções para dar a água aos que precisam", afirmou Jacques Cambon, um ex-engenheiro hidráulico da transnacional Suez, que agora trabalha com a Aquattac."As necessidades vitais da água foram estabelecidas pela OMS (Organização Mundial da Saúde) em 20 litros por habitante e por dia. Essa quantidade deve ser gratuita. Tudo o que se consome a mais deve ser pago, e os que consomem mais, devem pagar mais", ressaltou.

Por exemplo, "em Mombassa, na costa do Quênia, os habitantes precisam buscar água muito longe. A água serve, sobretudo, para piscinas e campos de golfe de grandes hotéis de luxo. Então são eles que devem pagar caro por esta água, assim seria possível levar a água à população", propôs.Cambon, um dos organizadores do Fórum Alternativo, realizado em um grande hangar perto do porto de Marselha, disse que o que interessa ao fórum oficial é promover "grandes projetos de água que exigem grandes recursos financeiros" e "uma gestão privada da água".

Ao comentar à AFP que o VI Fórum também apresenta uma "Aldeia de soluções" com propostas simples e inovadoras para combater a crise de água e saneamento, como um filtro caseiro, o engenheiro respondeu que, "no entanto, não são estas as soluções propostas por países em desenvolvimento e emergentes".

"O que estão vendendo são soluções modernas, que exigem muito investimento. As nossas soluções simples não são do interesse de suas empresas", acrescentou.

Por trás da proposta dos ambientalistas para atender a crescente demanda por água doce e as mudanças climáticas, está a meta de "um outro modelo de desenvolvimento", que evite o desperdício do precioso líquido e reduza os gases do efeito estufa.

"A agricultura responde por 70% do consumo de água no mundo. Mas qual é a agricultura que consome mais água? Não é a que serva para alimentar a população local, mas sim a agricultura industrial", disse."Para reduzir a pressão sobre a água, deve-se mudar o modelo de desenvolvimento e não pensar na água como uma mercadoria, mas como um direito universal, tal como proclamada pela ONU em 2010", concluiu.

Os dois fóruns terminam no sábado: o alternativo com um grande show, e o oficial depois de adotar uma declaração ministerial em que os responsáveis governamentais se comprometam em fazer avançar as soluções para enfrentar a crise da água e do saneamento.

    Leia tudo sobre: Fórum Mundial da Águapegada hídricafrançaágua

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG