ONU: Relatório recomenda reforma na estrutura do IPCC

Especialistas recomendam fortalecimento de controle para evitar erros em estudos sobre mudanças climáticas

EFE |

As Nações Unidas têm de realizar reformas "essenciais" na estrutura do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e fortalecer seus mecanismos de controle para evitar os erros de dados que levaram a questionar a imparcialidade de seus estudos.

Essas são as duas principais recomendações do relatório entregue hoje (30) por representantes da entidade InterAcademy Council (IAC) ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, na sede do organismo.

Em março passado, Ban encarregou a organização científica, fundada em 2000, de examinar a rigorosidade dos volumosos relatórios do IPCC, que conformam os pilares dos esforços da comunidade internacional para combater as emissões de gases poluentes.

"Trabalhar sob um microscópico público, como faz o IPCC, requer uma liderança firme, participação entusiasta e contínua de distintos cientistas, capacidade de adaptação e compromisso com a sinceridade", disse em comunicado de imprensa o principal responsável do relatório, Harold Shapiro.

Além do secretário-geral da ONU, na cerimônia de apresentação do relatório também esteve presente o principal responsável do IPCC, Rajendra Pachauri, que foi o principal alvo das críticas que consideram que a existência da mudança climática foi exagerada.

O IPCC, que prepara um quinto estudo, teve de admitir no começo do ano erros na conclusão contida em seu relatório de 2007 que as geleiras do Himalaia podem desaparecer até 2035.

O organismo também recebeu fortes críticas por causa da divulgação no ano passado de e-mails da Unidade de Pesquisa Climatológica (CRU) da Universidade de Anglia Oriental, no Reino Unido, um dos centros de maior prestígio internacional neste tema, que sugeriam uma tentativa de ocultar certos documentos aos responsáveis da ONU.

Para evitar este tipo de equívoco, os especialistas da IAC recomendam a criação de um comitê executivo que atue em nome do IPCC e garanta a capacidade de adotar decisões dentro da instituição.

Para assegurar sua credibilidade, entre seus membros deve haver indivíduos alheios ao IPCC ou, inclusive, à comunidade científica especializada na mudança climática.

Além disso, o relatório ressalta a importância de nomear um diretor-executivo que se encarregue das atividades diárias do Painel e seja seu porta-voz.

Também aconselha que os máximos responsáveis do IPCC se mantenham no cargo pelo tempo que durar a elaboração de cada um de seus relatórios, que costumam ser publicados a cada cinco anos.

Em relação aos controles de qualidade, a IAC pede que se conceda uma maior autoridade aos responsáveis por editar o relatório e que eles sejam estimulados a relatar divergências científicas e pontos de vista alternativos que estejam suficientemente documentados.

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