ONU não crê em metas fortes para redução de emissões

A menos de um mês de deixar o cargo, Yvo de Boer faz declaração pessimista sobre acordos

Agência Estado |

O chefe de mudanças climáticas das Nações Unidas, Yvo de Boer, admitiu ontem que não vê o progresso da negociação entre 194 países chegar, na próxima década, a metas de redução das emissões de gases de efeito estufa, que provocam o aquecimento global.

"Não vejo esse processo entregando metas de mitigação na próxima década. Mas vejo isso ocorrendo um dia", disse o secretário executivo da Convenção do Clima da ONU (UNFCCC). A declaração pessimista foi dada em Bonn, na Alemanha, onde ocorre uma reunião preparatória para a Conferência do Clima da ONU em Cancún, no México, no fim do ano - a COP-16.

O holandês está a menos de um mês de deixar o cargo, que será ocupado pela costa-riquenha Christiana Figueres. Recentemente, Boer afirmou que não tem esperanças de que um acordo forte, com validade jurídica, seja assinado em Cancún neste ano. As afirmações irritaram os mexicanos, que dizem ter altas expectativas para o encontro.

A primeira fase de compromisso do Protocolo de Kyoto, em que os países ricos decidiram cortar 5% das emissões, acaba em 2012. E ainda não existe outro tratado com metas para ser colocado em seu lugar ou dar continuidade a ele.

A ambição para um segundo compromisso está baixa: as metas de corte mencionadas até agora ficam entre 13% e 15% até 2020, segundo Boer. O ideal, de acordo com cientistas do Painel do Clima da ONU, é algo entre 25% e 40% até 2020. A Noruega é o único país com proposta de reduzir em 40% suas emissões. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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