ONGs farão grande marcha de protesto durante a Rio+20

Manifestantes querem levar visitantes da cúpula para conhecer de perto problemas ambientais causados por grandes projetos no Rio

Agêcia Estado |

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Ainda não se sabe o número de chefes de Estado que participarão da Rio+20 , mas para as ONGs uma coisa é certa: a orla carioca será tomada por uma grande marcha de protesto no dia 20 de junho, quando devem começar as reuniões intergovernamentais da conferência da ONU sobre desenvolvimento sustentável.

"Vamos convidar representantes de movimentos como o Occupy, de Nova York, dos Indignados, da Espanha, da Primavera Árabe e vários outros", diz Fátima Mello, da ONG Fase, que participa da organização da Cúpula dos Povos, evento paralelo ao encontro oficial das Nações Unidas. Na agenda dos ambientalistas envolvidos nos preparativos está previsto um "Toxic Tour". A ideia é levar visitantes da cúpula, que começa no dia 15 de junho, para conhecer de perto problemas ambientais causados por grandes projetos no Rio.

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"São lugares onde ninguém vai", diz Carlos Henrique Painel, do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais. "As visitas estão sendo organizadas. Vamos ter atividades dos afetados internacionalmente pela Vale. O Comperj (Complexo Petroquímico do Rio, da Petrobrás) e a CSA (Companhia Siderúrgica do Atlântico, parceria da Vale com a alemã ThyssenKrupp) não vão escapar".

Pedro Ivo, coordenador da Rede de Integração dos Povos (Rebrip), acrescenta que a eventual aprovação do Código Florestal até a Rio+20 transformaria o Brasil em "anfitrião vilão" da conferência. "Se isso acontecer, vai ser um grande desastre. O cenário será muito desfavorável". Para ele, a área ambiental foi enfraquecida no primeiro ano do governo Dilma Rousseff. "Estamos na contramão das bases criadas no governo Lula. Falta ousadia e compromisso com a questão".

Uma das convidadas será justamente a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, derrotada na última eleição. "Vamos trazer pessoas que têm voz, mas que não são escutadas", diz Moema Miranda, do Ibase e do Grupo de Reflexão e Apoio ao Processo (Grap) do Fórum Social Mundial. Para ela, a possível retirada de uma série de direitos da pauta da Rio+20 preocupa, por isso a necessidade de se propor alternativas. "Não temos de escolher entre justiça ambiental e social. A cúpula tem uma lado de denúncia e crítica, mas também o de apresentar alternativas de forma mais visível".

Membro da direção do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e representante da Via Campesina na cúpula, Marcelo Durão diz que está tudo certo para a chegada de 2,5 mil pessoas ao Aterro do Flamengo, onde será realizado o evento, das quais 500 virão do exterior. "Vamos protestar contra o que está sendo debatido na Rio+20 porque as propostas se organizam dentro do mercado, o que a gente considera uma falsa solução. Trata-se de uma grande reunião de chefes de Estado com corporações. O povo vai cobrar na rua". Ficarão acampados na cidade cerca de 1.200 índios que virão da Amazônia e dos Andes, entre outros grupos.

Segundo os organizadores, toda a alimentação para as 10 mil pessoas esperadas durante a cúpula será fornecida pela produção da agricultura familiar, camponesa e agroecológica. "Além do debate, queremos dar visibilidade para experiências e práticas do que queremos para o mundo", diz Fátima Mello, reconhecendo a dificuldade de dar conta de tudo o que está sendo prometido para realizar uma cúpula de fato sustentável. As negociações para o financiamento do evento, por exemplo, ainda não foram concluídas.

A Cúpula dos Povos tem um Grupo de Articulação formado por mais de 50 entidades nacionais e internacionais. O lema do evento, que vai de 15 a 23 de junho, é: "Por justiça social e ambiental, contra a mercantilização da vida e em defesa dos bens comuns". As inscrições para oficinas e atividades foram abertas esta semana.

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