ONG questiona versão oficial do vazamento de petróleo na China

Greenpeace afirma que governo chinês liberou de propósito 50 mil toneladas de óleo para evitar explosão de tanque em Dalian

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Menino nada em praia contaminada pelo óleo do vazamento de oleoduto em Dalian, na China
Três semanas depois que um vazamento de petróleo pesado sujou dezenas de quilômetros de praias desta imensa cidade ao norte da China, um notável – alguns diriam heróico – esforço de limpeza já removeu a maior parte dos traços da tragédia.

Mas se o governo de Dalian irá conseguir erradicar a condenação por conta deste grande acidente industrial e da catástrofe evitada por pouco, que poderia ter matado milhares de pessoas, ainda não se sabe.

Desde o dia 16 de julho, quando uma explosão e subsequente fogo romperam uma tubulação que ligava um petroleiro atracado a uma instalação de armazenamento em terra no porto PetroChina, os oficiais aqui têm tentado minimizar o tamanho dos danos.

Sua versão dos acontecimentos, divulgada logo após o vazamento, diz que uma tubulação quebrada vazou 1.500 toneladas, ou cerca de 11 mil barris de petróleo cru, na baía da costa de Dalian.

Os oficiais afirmam ainda que o vazamento ocorreu depois que trabalhadores, que descarregavam o petróleo do navio atracado, acidentalmente provocaram uma explosão e que o petróleo foi contido rapidamente antes que pudesse entrar em águas internacionais.

Essa continua a ser a versão oficial dos fatos. Mas uma investigação do grupo de defesa ambiental Greenpeace e relatos de dois peritos com conhecimento oficial do que aconteceu formam um argumento convincente de um relato alternativo.

O relatório do Greenpeace, divulgado na semana passada, afirmava que, conforme o fogo da explosão se espalhou, grandes quantidades de petróleo foram deliberadamente liberados de tanques localizados em terra para evitar danos devastadores a um tanque na unidade de armazenamento que continha dimethylbenzeno, um gás inflamável e tóxico usado para fazer combustível de aviação e solventes.

Estes especialistas, que pediram anonimato por medo de represálias do governo, disseram que os agentes de resposta de emergência deliberadamente abriram as válvulas de liberação de um enorme tanque de petróleo, temendo que o fogo poderia causar a sua explosão e rachar o tanque de gás tóxico.

O reservatório esvaziado continha provavelmente cerca de 50.000 toneladas, ou entre 315 mil e 365 mil barris de petróleo. Especialistas do Greenpeace afirmaram que grande parte deste conteúdo poderia ter queimado no fogo daquela noite.

Mas outros especialistas disseram em entrevistas que não acreditam que a maior parte do petróleo liberado teria queimado, uma vez que petróleo pesado cru do tipo envolvido no vazamento de Dalian é menos inflamável que a espécie mais leve de petróleo.

Uma fotografia feita por satélite dois dias depois do vazamento de Dalian e publicada no website skytruth.org sugere que o petróleo se espalhou até o mar a partir do local do acidente e foi arrastado ao longo da costa.

A China National Petroleum Corp, empresa controladora do porto PetroChina, afirma em seu site que o acidente de Dalian lançou "uma pequena quantidade" de petróleo e água de esgoto na baía.

Os oficiais da empresa não aceitaram pedidos para comentar o acidente.

* Por Michael Wines e Keith Bradsher

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