ONG protesta contra missão científica britânica no Paraguai

Ativistas dizem que expedição destinada a descobrir novas espécies poderá perturbar cotidiano de indígenas da região de Chaco Seco

Reuters |

Ativistas que defende os direitos dos indígenas querem que o Museu Nacional de História Natural de Londres cancele uma expedição de pesquisas botânicas na região paraguaia do Chaco, sob pena de cometerem um "genocídio" contra uma tribo local.

Funcionários do museu e cientistas do próprio Paraguai devem iniciar nesta semana a expedição destinada a descobrir novas espécies na pouco explorada região do Chaco Seco. Mas os ativistas dizem que o trabalho pode perturbar o cotidiano dos indígenas e expô-los a doenças contra as quais não possuem imunidade.

Beno Glauser, diretor da ONG local Iniciativa Amotocodie, escreveu ao museu britânico dizendo que a expedição, com duração de um mês, irá invadir o território dos índios ayoreos, que muito raramente têm contatos com o restante do mundo.

Ele incluiu uma declaração de líderes ayoreos que vivem numa cidade do norte do Paraguai. "Se esta expedição for adiante, não conseguiremos entender por que vocês preferem perder vidas humanas só porque cientistas ingleses querem estudar plantas e animais", diziam eles. "Há risco demais: os povos da floresta morrem frequentemente por contraírem doenças dos brancos. É muito sério. É como um genocídio."

Glauser disse também que os indígenas podem ver os cientistas como intrusos hostis, e atacá-los.

O museu diz que tomou todas as precauções para evitar contatos acidentais com os ayoreos, e que a expedição será mantida. Richard Lane, diretor científico do Museu de História Natural, disse que vários líderes indígenas apoiam a expedição, "pois podem aprender com ela".

Segundo Lane, um ancião do grupo participará do trabalho "Ele pode ir na frente da expedição para assegurar que não haja um contato indesejado. Há poucas pessoas não-contatadas nessa área enorme. A chance de topar com elas é realmente bem pequena", acrescentou.

Os ayoreos são um dos últimos povos isolados da América do Sul, com exceção dos que vivem na região da Amazônia. Até o século 20, esse grupo conseguia viver nas florestas do Chaco, uma região que abarca partes do Paraguai, Argentina e Bolívia.

Mas muitos foram expulsos das florestas nos últimos 50 anos por missionários, desmatadores, agropecuaristas e empresas de petróleo.

O contato mais recente com a tribo se deu em 2004, quando 17 ayoreos saíram do Chaco, revelando que haviam passado anos fugindo das invasões de seus territórios.

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