Onde foi parar o petróleo que vazou no Golfo do México?

Mancha se fragmentou em porções menores e parte está debaixo d'água. Não se sabe se ele será degradada ou ficará no fundo do mar

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© AP
Mancha de óleo aparece claramente na superfície da água em 20/7, em região próxima ao local do acidente da Deepwater Horizon
Com o vazamento de petróleo do Golfo de México sob controle, a atenção do problema agora se desloca para a limpeza da superfície marinha e a pergunta que todos fazem é: para onde foi todo o óleo que vazou durante três meses?

Acompanhe a evolução do vazamento de petróleo no infográfico do iG

Durante três longos meses uma imensa maré negra ameaçou o litoral da Louisiana e de outros estados do sul dos Estados Unidos, enquanto a BP recorria a todos os métodos possíveis para tentar deter o vazamento poluente.

Um tampão deteve o fluxo no dia 15 de julho depois do derramamento de 2,8 a 4,5 milhões de barris no Golfo. Apenas um quarto dessa quantidade foi capturada pela BP em navios contêineres e outros sistemas de armazenamento.

Mas graças aos frenéticos esforços para recolher e queimar o óleo na superfície - foram recuperados cerca de 132 milhões de litros de uma mistura de petróleo e água e foram realizadas 411 queimadas - a verdadeira dificuldade agora é encontrar os rastros do petróleo para que possam ser limpos.

Dezenas de aviões de reconhecimento saem constantemente da Flórida e do Texas para localizar manchas de petróleo, ao mesmo tempo em que barcos de fundo plano buscam nos pântanos os restos maiores da maré, que são difíceis de biodegradar-se.

"O que temos são centenas de milhares de manchas de petróleo e o desafio consiste em descobrir onde se encontram precisamente agora, porque se dispersaram numa grande superfície", explica o chefe da operação organizada para deter a maré, o almirante Thad Allen.

Allen assegura que talvez seja inexato de sua parte chamar essa quantidades de mancha. "O que estamos vendo são bolsões, unidades com volume, pequenas concentrações muito difíceis de detectar", afirma.

"O que tentamos descobrir é onde está todo o petróleo e o que podemos fazer a respeito", acrescenta.

As cifras falam por si mesmas. Antes de colocarem o funil para tampar o vazamento do poço avariado, eram recolhidos cerca de 25.000 barris diários de petróleo de uma densa e concentrada maré negra, perto da zona do poço.

Quando chegou a tempestade tropical Bonnie na semana passada, a recuperação diminuiu para uns insignificantes 56 barris diários, suscitando a pergunta sobre o que fazer com os 800 navios coletores, muitos deles conduzidos por pescadores entediados.

A respeito de onde foi parar o petróleo que não foi recolhido ou queimado, as opiniões variam: alguns especialistas dizem que os micróbios e outros elementos do oceano o decompuseram naturalmente, enquanto que outros temem que possa estar depositado sem ser detectado nas profundezas do Golfo.

Apenas algumas semanas atrás, a maré negra era uma força implacável, que não podia ser mantida à distância das costas que lentamente asfixiava os indefesos pelicanos. Agora o óleo é um inimigo escorregadio, que precisa ser urgentemente localizado.

O último boletim da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) sobre a maré identifica apenas sete manchas de petróleo de alguma consideração flutuando na superfície marinha.

A etapa seguinte consistirá principalmente num minucioso trabalho de avaliação dos danos causados pelo petróleo nas áreas ribeirinhas. Mais de 1.000 km de litoral foram contaminados pelo petróleo.

A limpeza das praias demandará esforços mínimos, mas a eliminação do óleo dos pântanos implicará um grande quebra-cabeça para as autoridades.

O geólogo Ed Owens, contratado pela BP para ajudar a organizar a proteção do litoral, rejeita qualquer alarmismo. Ele acha que os pântanos, que abriga uma variada fauna, se recuperarão em alguns meses, já que apenas um escasso volume de petróleo penetrou neles.

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