Oceano suporta despejo de água radioativa, dizem especialistas

Concentração de material contaminado é diluída no mar, o que torna o descarte da água da usina japonesa pouco ameaçador

iG São Paulo |

AP
Caminhonetes dirigem em estrada na qual se vê, ao fundo, a usina nuclear de Fukushima, no Japão
Água radioativa de uma usina nuclear japonesa danificada está chegando ao mar. Mas especialistas dizem que isso não deve ser um grande problema para a vida marinha, nem para as pessoas que consomem peixes e frutos do mar.

Eles dizem que o oceano dilui as concentrações de material radioativo.

“É um oceano enorme”, destacou William Burnett, da Universidade Estadual da Flórida. Muito perto da usina – até 800 metros, aproximadamente – as criaturas marinhas podem correr risco de problemas como mutações genéticas, se o despejo durar muito tempo, afirmou ele.

Mas não deve haver perigo grave a uma distância maior, “a menos que haja uma escalada para algo muito maior do que houve até agora”, acrescentou.

Veja o infográfico:
Acidente no complexo nuclear de Fukushima

Ken Buesseler, da Instituição Oceanográfica Woods Hole, nos EUA, disse que os vestígios de césio e iodo radioativo mostram uma queda de 99,9% entre o litoral e monitores posicionados cerca de 30 km mar adentro.

Ele disse que a dose radioativa nos frutos do mar poderá ser detectável, mas que provavelmente não chegará a ser um risco de saúde significativo, e que os alimentos de origem marinha serão uma preocupação menor na comparação com as doses que podem aparecer em água potável e nos vegetais

A pesca é proibida na vizinhança do complexo nuclear.

A água radioativa já vinha vazando no Oceano Pacífico, e nesta segunda-feira os operadores da usina começaram a liberar mais de 11,3 milhões de litros de água contaminada, para abrir espaço para armazenar um volume ainda mais radioativo.

Igor Linkov, professor adjunto de engenharia e políticas públicas da Universidade Carnegie Mellon, também disse que não espera um impacto de maiores proporções na vida marinha ou nas pessoas que consomem frutos do mar.

Ele concorda que animais próximos á usina poderão ser afetados. Mas não está claro como, porque o nível da radiação não é bem conhecido. De qualquer forma, os peixes provavelmente escaparão desses efeitos porque, diferentemente de espécies como ostras, eles se movem bastante e não devem sofrer exposição contínua, argumenta.

(com informações da AP)

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