Obama pressiona BP por plano para temporada de furacões

A expectativa é que a contenção total do vazamento no Golfo demore meses

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Tartaruga morta em uma poça de óleo em Barataria Bay, na Louisiana
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta segunda-feira que está pressionando a petroleira britânica BP a preparar um plano de contingência para impedir que a temporada de furacões no Caribe atrapalhe os esforços de contenção do vazamento de petróleo no Golfo do México. "Nós estamos pressionando a BP muito fortemente para garantir que todos os instrumentos estejam disponíveis para que, à medida que o petróleo seja capturado e separado adequadamente, haja recipientes para receber esse petróleo", disse o presidente.

"E que nós tenhamos amplos planos de contingência caso haja uma emergência ou um furacão, para que esses mecanismos não sejam atingidos", afirmou Obama.

Veja o infográfico da evolução da mancha de petróleo no Golfo do México

A temporada de furacões no Atlântico começou na semana passada. No fim de semana, a BP anunciou que um funil especial colocado sobre o vazamento estava dando resultados e desviando mais da metade do petróleo para a superfície.

Volume
A estimativa é de que 11 mil barris por dia estejam sendo desviados para navios na superfície com a nova estratégia da BP para conter o vazamento. Obama disse, porém, que ainda não é possível saber com precisão o volume de petróleo que a BP está conseguindo recolher. "Nós ainda estamos tentando obter uma ideia mais precisa de quanto (petróleo) está sendo capturado", afirmou.

O vazamento de petróleo no Golfo do México começou no fim de abril, quando a plataforma Deepwater Horizon, operada pela BP, explodiu e afundou, matando 11 funcionários. Desde então, estima-se que o poço danificado, localizado a uma profundidade de cerca de 1,5 mil metros, esteja liberando entre 12 mil e 24 mil barris diários de petróleo, no que já é considerado o pior desastre ambiental da história americana.

Crise
Diversas tentativas anteriores de conter o vazamento fracassaram, e a mancha de petróleo já atinge cinco Estados americanos. Nesta segunda-feira, Obama disse que o vazamento vai ser contido.

"(O vazamento) vai ser contido. Pode levar algum tempo e vai demandar muito esforço. Haverá danos à costa do Golfo, e haverá danos econômicos, pelos quais temos de garantir que a BP seja responsabilizada e compense as pessoas atingidas", disse. "Mas a única coisa sobre a qual estou absolutamente confiante é que, assim como já fizemos antes, nós vamos superar essa crise."

Meses
O presidente, no entanto, disse que pode levar meses para que o problema seja solucionado. "Isso é o que sabemos: mesmo que sejamos bem-sucedidos em conter um pouco ou grande parte desse petróleo, nós não vamos ter este problema solucionado até que tenhamos os trabalhos de reparação bem finalizados, e isso vai levar alguns meses", afirmou.

O presidente sugeriu que pescadores locais sejam contratados com seus pequenos barcos para ajudar no trabalho de limpeza e contenção. "Nós sabemos que muito petróleo foi vazado e que haverá mais petróleo vazado, não importa o quão bem-sucedidos seja esse esforço de contenção", disse. "Por isso é tão importante para nós continuar a empregar todos os recursos que tivermos para garantir que possamos reduzir a quantidade de petróleo na costa."

Anos
Também nesta segunda-feira, o chefe da Guarda Costeira dos Estados Unidos, almirante Thad Allen, disse que levará alguns meses para limpar a mancha de petróleo da superfície do Golfo, mas que o trabalho de limpeza dos pântanos e outros habitats afetados pelo vazamento poderá levar anos.

A BP disse que já gastou US$ 1,25 bilhão (cerca de R$ 2,3 bilhões) nos esforços de contenção e limpeza. Tanto a petroleira britânica quando o governo americano têm sido duramente criticados por sua resposta ao acidente. Nesta segunda-feira, uma pesquisa de opinião encomendada pela rede de televisão ABC e pelo jornal The Washington Post revelou que 69% dos americanos consideram a resposta do governo ao desastre negativa. Em relação à resposta da BP, esse percentual sobe para 81%. Segundo a pesquisa, 73% dos americanos consideram o vazamento um desastre de grandes proporções, e 64% acham que a BP e outras empresas envolvidas deveriam ser submetidas a um processo judicial.

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