Obama critica presidente da BP por vazamento

Presidente americano diz que quer saber qual "traseiro precisa chutar" para punir responsáveis pelo vazamento no Golfo

BBC Brasil |

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Obama está sendo pressionado por não demonstrar envolvimento com o desastre
O presidente dos EUA, Barack Obama, criticou duramente o presidente da BP, Tony Hayward, em uma entrevista sobre o vazamento de petróleo no Golfo do méxico na qual chegou a dizer que quer saber "que traseiro precisa chutar" para punir responsáveis pelo desastre ambiental.

Durante entrevista à rede de TV NBC, Obama foi perguntado sobre o que achava de comentários feitos por Hayward logo após o vazamento. O presidente da BP disse frases como "quero minha vida de volta" e afirmou que o Golfo era "um grande oceano", no que foi interpretado como tentativa de minimizar a tragédia.

"Ele não trabalharia para mim depois de fazer comentários como esses", disse Obama.
A entrevista concedida ao programa Today da NBC será exibida nos EUA na noite desta terça-feira.
Obama usou a entrevista para tentar defender seu papel durante a crise - pesquisas sugerem que muitos americanos acreditam que ele não soube responder bem à tragédia ambiental. O presidente americano visitou o local atingido três vezes desde o começo do vazamento, em abril, e conversou com pescadores e especialistas em vazamento de petróleo.

"Fui lá um mês antes de muitos desses especialistas terem começado a prestar atenção ao Golfo", disse ele. "Eu não fico falando com especialistas como se estivesse participando de um seminário universitário, eu converso com especialistas porque eles têm as melhores respostas, então eu posso saber que traseiro eu tenho que chutar".

Mais cedo, Obama havia dito que seu governo está pressionando a petroleira britânica BP a preparar um plano de contingência para impedir que a temporada de furacões no Caribe atrapalhe os esforços de contenção do vazamento.

"Nós estamos pressionando a BP muito fortemente para garantir que todos os instrumentos estejam disponíveis para que, à medida que o petróleo seja capturado e separado adequadamente, haja recipientes para receber esse petroleo. E que nós tenhamos amplos planos de contingência caso haja uma emergência ou um furacão, para que esses mecanismos não sejam atingidos", afirmou Obama.

A temporada de furacões no Atlântico começou na semana passada.

Contenção
No fim de semana, a BP anunciou que um funil especial colocado sobre o vazamento estava dando resultados e desviando mais da metade do petróleo para a superfície.

A estimativa é de que 11 mil barris por dia estejam sendo desviados para navios na supefície com a nova estratégia da BP para conter o vazamento.

Obama disse, porém, que ainda não é possível saber com precisão o volume de petróleo que a BP está conseguindo recolher.

"Nós ainda estamos tentando obter uma ideia mais precisa de quanto (petróleo) está sendo capturado", afirmou.
O vazamento de petróleo no Golfo do México começou no fim de abril, quando a plataforma Deepwater Horizon, operada pela BP, explodiu e afundou, matando 11 funcionários.

Desde então, estima-se que o poço danificado, localizado a uma profundidade de cerca de 1,5 mil metros, esteja liberando entre 12 mil e 24 mil barris diários de petróleo, no que já é considerado o pior desastre ambiental da história americana.

Crise
Diversas tentativas anteriores de conter o vazamento fracassaram, e a mancha de petróleo já atinge cinco Estados americanos.

Nesta segunda-feira, Obama disse que o vazamento vai ser contido. "(O vazamento) vai ser contido. Pode levar algum tempo e vai demandar muito esforço. Haverá danos à costa do Golfo, e haverá danos econômicos, pelos quais temos de garantir que a BP seja responsabilizada e compense as pessoas atingidas", disse.

"Mas a única coisa sobre a qual estou absolutamente confiante é que, assim como já fizemos antes, nós vamos superar essa crise."

Meses
O presidente, no entanto, disse que pode levar meses para que o problema seja solucionado.
"Isso é o que sabemos: mesmo que sejamos bem-sucedidos em conter um pouco ou grande parte desse petróleo, nós não vamos ter este problema solucionado até que tenhamos os trabalhos de reparação bem finalizados, e isso vai levar alguns meses", afirmou.

O presidente sugeriu que pescadores locais sejam contratados com seus pequenos barcos para ajudar no trabalho de limpeza e contenção.

"Nós sabemos que muito petróleo foi vazado e que haverá mais petróleo vazado, não importa o quão bem-sucedidos seja esse esforço de contenção", disse.

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A limpeza das regiões atingidas pelo petróleo pode durar anos

"Por isso é tão importante para nós continuar a empregar todos os recursos que tivermos para garantir que possamos reduzir a quantidade de petróleo na costa."

Anos
Também nesta segunda-feira, o chefe da Guarda Costeira dos Estados Unidos, almirante Thad Allen, disse que levará alguns meses para limpar a mancha de petróleo da superfície do Golfo, mas que o trabalho de limpeza dos pântanos e outros habitats afetados pelo vazamento poderá levar anos.

A BP disse que já gastou US$ 1,25 bilhão (cerca de R$ 2,3 bilhões) nos esforços de contenção e limpeza.
Tanto a petroleira britânica quando o governo americano têm sido duramente criticados por sua resposta ao acidente.

Nesta segunda-feira, uma pesquisa de opinião encomendada pela rede de televisão ABC e pelo jornal The Washington Post revelou que 69% dos americanos consideram a resposta do governo ao desastre negativa.

Em relação à resposta da BP, esse percentual sobe para 81%. Segundo a pesquisa, 73% dos americanos consideram o vazamento um desastre de grandes proporções, e 64% acham que a BP e outras empresas envolvidas deveriam ser submetidas a um processo judicial.

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