Obama avisa que EUA levarão anos no combate ao vazamento de óleo

Presidente diz que catástrofe ambiental no Golfo é a pior que o país já viu

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Obama diz que combate ao vazamento no Golfo do México vai durar o quanto for necessário

WASHINGTON - Os Estados Unidos levarão meses e até mesmo anos no combate ao que chamou de 'epidemia' provocada pelo vazamento do petróleo no Golfo do México, alertou esta terça-feira o presidente americano, Barack Obama, que anunciou ainda que não suspenderá uma moratória de seis meses para a exploração de petróleo em águas profundas nos Estados Unidos até que as causas da tragédia sejam conhecidas.

"Esta contaminação é a pior catástrofe ambiental que os Estados Unidos já viram. E diferente de um terremoto ou um furacão, não é um acontecimento pontual, que causa danos em questão de minutos ou em poucos dias", disse Obama em discurso à Nação, afirmando que fará a petroleira britânica BP pagar pelos danos.

A quantidade de petróleo que vaza "para o Golfo do México parece mais uma epidemia que nós combateremos durante meses e, inclusive, anos", acrescentou o presidente, que anunciou ter autorizado a mobilização de milhares de homens da Guarda Civil para combater a maré negra e que contatou os governadores dos estados afetados pelo desastre para colocar estes homens para trabalhar prontamente.

"Autorizei a mobilização de cerca de 17 mil membros da Guarda Nacional na costa", disse Obama.

"Chamo os governadores dos estados afetados a colocarem estas tropas para trabalhar o mais cedo possível", acrescentou.

No discurso, Obama prometeu, ainda, "fazer a BP pagar" pelo vazamento de petróleo no Golfo do México e disse que ordenará ao presidente da BP a criar um fundo gerenciado de forma independente para indenizar as vítimas.

"Amanhã, me encontrarei com o presidente da BP e vou informá-lo que ele precisa reservar quaisquer recursos necessários para compensar os trabalhadores e comerciantes afetados como resultado da negligência de sua companhia", disse Obama em um raro discurso à Nação do Salão Oval da Casa Branca.

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Peixes mortos e sujos de óleo encontrados em áreas atingidas pelo vazamento na Louisiana
"E este fundo não será controlado pela BP. A fim de assegurar que todas as reivindicações legítimas sejam pagas de forma justa e adequada, a conta precisa e será administrada por um terceiro independente", acrescentou.

Obama disse ainda que não suspenderá a moratória de seis meses para perfurações petroleiras offshore até que sejam esclarecidas as causas do vazamento no Golfo do México.

"Eu sei que isto traz dificuldades para as pessoas que trabalham nessas plataformas", disse o presidente, em meio a críticas de trabalhadores e executivos do setor petroleiro ao longo da costa sul americana, que temem perder seus empregos.

"Mas pelo bem da nossa segurança e pelo bem de toda a região, precisamos conhecer os fatos antes que permitamos a continuidade da perfuração em águas profundas", afirmou no discurso.

"Enquanto isso, eu insto uma comissão a completar seu trabalho o mais rapidamente possível. Espero que eles façam seu trabalho de forma completa e imparcial", afirmou, em alusão ao comitê bipartidário de sete membros, que reúne cientistas, ambientalistas e especialistas em energia para determinar o que causou o acidente com acidente com a plataforma da BP Deepwater Horizon, que explodiu e afundou em abril passado.

Desde então, milhões de barris de petróleo vazaram do Golfo do México, transformando-se rapidamente no pior desastre ambiental do país e contaminando o litoral de quatro estados americanos, da Luisiana à Flórida.

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