Nuvens têm composição diferente de acordo com nível de poluição

Pesquisas, que contaram com a ajuda de cientistas brasileiros, podem ajudar na modelagem das mudanças climáticas

Alessandro Greco, especial para o iG |

Science/AAAS
Nuvens sobre a amazônia: simulação da era pré-industrial
A formação de nuvens em regiões industriais e não-industriais tem origens completamente diferentes. Essa é descoberta de dois grupos de pesquisadores relatadas na revista Science desta quinta-feira, dia 16 de setembro. Um grupo, liderado por Ulrich Pöschl, do Instituto Max Planck, na Alemanha e que contou com a participação dos brasileiros Paulo Artaxo, da USP, e Theotonio Pauliquevis, da Unifesp, coletou partículas do ar da bacia amazônica no período de chuvas em uma atmosfera que se assemelha à da era pré-industrial -- na qual poluição é apenas uma palavra sem significado.

Eles descobriram que a maior parte das partículas capazes de formar nuvens são de materiais biogênicos – vulgo, produzido pela ação de organismos vivos. Os dados levantados pelo trabalho irão ajudar os cientistas a entender e quantificar a interdependência entre aerossóis (as partículas coletadas) e a água em um local do mundo não perturbado por poluentes. “Este entendimento é um pré-requisito para a modelagem confiável, validação e previsão dos efeitos gerados pelo homem na mudança climática”, explicou Pöschl ao iG .

Conhecer os aerossóis é importante, pois sua composição e abundância influenciam a quantidade de energia absorvida e refletida pela Terra e podem levar a modificações nas características das nuvens – aumentando ou diminuindo a quantidade de chuva de uma região. “Os efeitos diretos e indiretos dos aerossóis no clima estão entre as maiores incertezas no entendimento atual das mudanças climáticas regionais e globais”, afirmam os pesquisadores no artigo.

Com os dados levantados no estudo conseguiu-se ter um caso-controle, um referencial de como a atmosfera se comportava antes da revolução industrial. “As medidas deste experimento no que concerne aos aerossóis atmosféricos, nos provê com um referencial de "atmosfera limpa", afirmou Pauliquevis ao iG .

Em outro estudo os pesquisadores Anthony Clarke e Vladimir Kapustin, da Universidade de Honolulu, no Havaí, coletaram aerossóis de várias regiões do Oceano Pacífico – poluídas e não poluídas - e descobriram que a massa e a quantidade deles é muito maior quando provêm de atividades humanas como queima de combustíveis fósseis (como gasolina, gás, carvão etc) do que de regiões menos poluídas. A conclusão dos pesquisadores no artigo é que os aerossóis provenientes da combustão estão influenciando direta e indiretamente a formação de nuvens, e por conseqüência, o clima. Juntos os trabalhos mostram que as diferenças entre as fontes de formação dos aerosóis – natural e humana – são uma fonte importante de dados para a modelagem das mudanças climáticas.

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