Minúsculos animais da Antártida dão pistas sobre elevação do mar

Cientistas afirmam que a colônia de animais indica que o manto de gelo já degelou e que os mares já foram ligados

Reuters |

DIVULGACAO
Colônia se estendia por 2.400 km entre os mares do manto de gelo da Antártida Ocidental
Minúsculos seres marinhos encontrados no fundo do mar em lados opostos do vasto manto de gelo da Antártida Ocidental dão uma forte pista sobre os riscos do aumento do nível das marés causado pela mudança climática, afirmaram cientistas nesta terça-feira.

A descoberta de colônias muito similares de briozoários, animais que se fixam no leito do oceano, nos Mares de Ross e de Weddell são uma indicação de que o manto de gelo já degelou e que os mares já foram ligados, afirmaram eles.

A Antártida Ocidental tem gelo suficiente para elevar o nível dos oceanos em entre 3,5 e 5 metros caso o manto colapse. Alguns cientistas acreditam que ele pode ter desaparecido durante um período quente natural ocorrido dentro das últimas centenas de milhares de anos.

"Foi uma surpresa muito grande", disse David Barnes, autor principal do estudo do British Antarctic Survey, a respeito do achado de briozoários similares a 2.400 quilômetros de distância em mares em lados opostos do manto de gelo da Antártida Ocidental, que tem espessura de 2 quilômetros.

"A explicação mais provável de uma similaridade como essa é de que esse manto de gelo é muito menos estável do que o pensado e que em algum momento do passado recente ruiu", disse ele à Reuters.

"E, se a plataforma de gelo da Antártida Ocidental foi perdida em tempos recentes, temos de repensar a possibilidade de perda em um futuro com mudança climática", afirmou ele.

Os briozoários, por vezes chamados de animais do musgo, com frequência são microscópicos, mas formam colônias que podem parecer corais ou algumas algas. Os animais encontrados eram diferentes de outros no entorno da atual costa da Antártida.

Em um curto período quente cerca de 125 mil anos atrás, o nível dos oceanos do mundo era cinco metros mais alto do que o de hoje e as temperaturas ao menos 4 graus centígrados mais altas. Houve vários períodos quentes similares nos últimos milhões de anos.

O painel de cientistas do clima da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou em um relatório de 2007 que as temperaturas mundiais poderiam subir entre 1,1 e 6,4 graus centígrados até 2100, principalmente em razão do acúmulo de gases-estufa provenientes da queima de combustíveis fósseis.

Revisões do relatório do painel endossaram as principais conclusões do texto, apesar dos erros como um exagero no degelo dos Himalaias. Na segunda-feira especialistas pediram uma reestruturação da administração do painel.

O estudo sobre a Antártida, publicado na revista Global Change Biology, afirmou que os briozoários são estáticos e que a larva deles, dispersada pelas correntes, vivem por pouco tempo e afundam rapidamente.

Com o gigante manto de gelo no meio do caminho, é difícil explicar como colônias similares podem estar presentes nos dois mares. Mas, se o gelo estivesse desestabilizado, ele abriria uma passagem pela qual as correntes poderiam, ao longo do tempo, transportar as larvas, disse Barnes.

    Leia tudo sobre: antártidaaquecimento globalciênciameio ambiente

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG