Mato Grosso desmata 5 mil campos de futebol em 2 meses

De acordo com o Inpe, Estado mais uma vez lidera derrubada da floresta amazônica

Helson França, iG Mato Grosso |

Mato Grosso foi o Estado brasileiro que mais desmatou sua porção de floresta amazônica nos dois últimos meses de 2010. O desmatamento registrado foi seis vezes superior ao ocorrido no mesmo período de 2009. Em novembro e dezembro de 2010, houve uma devastação de 5000 mil hectares, o mesmo que cinco mil campos de futebol.

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Comparado com o mesmo período de 2009, crescimento foi de 502%

Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Durante todo o ano passado, Mato Grosso devastou 64.590 hectares.

De acordo com o Instituto, foram desmatados 13500 hectares de toda Amazônia Legal somente entre novembro e dezembro do ano passado. A vegetação afetada desmatada em território mato-grossense equivale a 37% disso.

Além de Mato Grosso, fazem parte da Amazônia Legal o Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. A Amazônia Legal é uma área definida por lei e reúne os Estados que têm alguma parte da floresta. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Amazônia Legal já perdeu cerca de 15% de sua cobertura original, que é de 4 milhões de quilômetros quadrados.

No último levantamento divulgado pelo Inpe, atrás de Mato Grosso, os outros Estados que mais devastaram a Amazônia Legal foram o Pará (4270 hectares) e Amazonas (1410 hectares).

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, 75% da área desmatada na Amazônia Legal é ocupada pela pecuária. São 70 milhões de bovinos, e um terço está em Mato Grosso. A ocupação é de quase uma cabeça de gado por hectare.

O secretário de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso, Alexander Maia, pontuou que, desde 2004, Mato Grosso vem reduzindo significativamente o desmatamento na Amazônia Legal, por meio de políticas públicas e ações de fiscalização. Naquele ano, Mato Grosso registrou 1,17 milhão de hectares de vegetação devastada. Já no ano passado, até outubro, esse número diminuiu para 80 mil hectares, o que corresponde a uma redução de aproximadamente 90%.

Maia explicou que a Sema tem procurado convencer os proprietários de grandes porções de terra  dos ganhos que o crédito de carbono pode gerar. Funciona assim: quem polui muito paga para que outras pessoas mantenham as florestas intactas. O valor é proporcional à quantidade da poluição.

“Tem pessoa que possui 300 mil hectares de terra na Amazônia Legal em Mato Grosso. Por direito essa pessoa pode desmatar até 20% disso, mas não o faz, pois aposta que pode ganhar mais dinheiro mantendo a floresta em pé”, disse.

“Lamentavelmente, a exemplo de outros Estados como Goiás, Tocantins, Acre e Rondônia, as queimadas foram muito intensas em todo território mato-grossense ano passado. Os números começaram a aparecer. A retirada da vegetação na Amazônia Legal em Mato Grosso foi principalmente por conta do fogo, e não de novas áreas abertas”, afirmou o secretário.

Ele contou que os dados do Inpe servem como alerta para a Sema e que na próxima semana, equipes da Secretaria devem ir aos lugares onde houve as devastações para checar in loco o que se passou.

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