Massa de ar seco provoca incêndios na região Centro Oeste

Número de focos de incêndio aumentou 330% em relação ao ano passado

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo |

Agência Estado
Alta temperatura e baixa umidade do ar contribuem para a formação de incêndios espontâneos
Nos últimos dias foram registrados vários incêndios, principalmente na região Centro-Oeste. Na noite de quinta-feira (12) o Parque Nacional das Emas, no extremo sudoeste de Goiás foi atingido por um incêndio de grandes proporções. A área, de 131.800 hectares, é uma das mais importantes Unidades de Conservação do Cerrado, com presença de espécies como onça-pintada, a onça-parda, o tatu-canastra e lobo-guará. Bombeiros trabalham no local e ainda não se sabe as dimensões nem perdas com o fogo.

A série de incêndios está sendo provocada pela massa de ar seco sobre os Estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. Ela inibe a formação de nuvens, o que impede as chuvas, e também aumenta a incidência de raios solares no solo. Com as altas temperaturas, os incêndios espontâneos acontecem com mais facilidade. Os ventos fortes, típicos da região, ajudam a proliferar o fogo.

De acordo com dados do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a região Centro Oeste está aproximadamente há 90 dias sem chuva. Na tarde de sexta-feira (13), em Cuiabá, a temperatura estava em torno de 35ºC e a umidade relativa do ar era 34%. Estas três condições são ideais para a formação de queimadas. “Quando a umidade relativa do ar fica abaixo de 40% por cerca de 3 dias seguidos, e a região está há uns 15 dias sem chuva já é indicio de risco de queimadas. Quanto à temperatura, o risco de queimada vai variar muito do tipo de solo, mais precisamente do tipo de vegetação”, explicou Raffi Agop, meteorologista do grupo de queimadas do CPTEC.

Recordes
De 1º de janeiro de 2010 até quinta-feira (12) já foram registrados 15.182 focos de incêndio no país, 4.729 deles nos Estados do Centro Oeste. No mesmo período do ano passado foram 5.814 focos, confirmando um crescimento de 330% de focos de queimada em relação ao ano passado.

Pará e Mato Grosso são os Estados campeões em focos de queimadas, com, respectivamente, 3.981 e 3.408 ocorrências de incêndio entre quinta-feira (12) e 1 de janeiro de 2010. Mas Agop lembra que este índice não é resultado apenas do clima. “O alto número de focos de incêndio se dá, principalmente, devido às dimensões territoriais e também a áreas de conflito de terra. Há também desmatamento no Sul do Pará e Norte do Mato Grosso. Ou seja, há a influência do clima e do homem”, disse.

Piores anos
De acordo com dados do Inpe, os anos de 2002 e 2004 os que tiveram mais focos de incêndio. No ano de 2002 foram detectados aproximadamente 220.000 focos enquanto que no ano de 2004 o total no Brasil Central foi de 240.000. “Entretanto, esses números vêm diminuindo devido a um maior controle, diminuição das áreas desmatadas, e das queimadas preventivas realizadas por agricultores entre os meses de junho e outubro”, disse.

Previsão do tempo
O meteorologista do CPTEC José Felipe Farias alerta que a previsão para a próxima semana na região é de temperaturas altas e sol forte. “As máximas estarão em elevação e ocorrerá o predomínio de baixa umidade”. A expectativa é que a umidade relativa do ar na próxima semana em Cuiabá seja de 30%.

As queimadas implicam na destruição da fauna e da flora, além de contribuir para o empobrecimento do solo, pois reduzem a penetração de água no subsolo. Elas causam ainda poluição atmosférica. Do ponto de vista global, elas estão associadas a alterações climáticas, por modificarem a composição química da atmosfera.

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