"Mar" de plástico do Atlântico Norte está estável, diz estudo

Coleta de material mostra que em 22 anos não houve mudança significativa apesar do grande aumento da produção mundial de plástico

Alessandro Greco, especial para o iG |

Um grupo de pesquisadores foi verificar como está o chamado “mar de plástico do Atlântico Norte”, uma região de grande acúmulo de detritos plásticos e descobriu algo inusitado: ela não aumentou significativamente nos últimos 22 anos apesar da produção mundial de plástico ter aumentado cinco vezes entre 1976 e 2008 e o descarte apenas nos Estados Unidos ter multiplicado por quatro entre 1980 e 2008.

O resultado da pesquisa, que está na revista Science desta quinta-feira, (19), surpreendeu os pesquisadores americanos liderados por Kara Lavender Law, do Instituto Oceanográfico de Woods Hole e do Sea Education Association (SEA na sigla em inglês), que esperavam encontrar um aumento significativo de plástico na região estudada.  Veja na galeria:

A pesquisa foi feita em 2008, com a coleta de material com redes, em diferentes partes da região afetada. Em 60% das 6136 coletas foram encontrados pedaços milimétricos de plástico. Os dados foram então comparados com os levantados em uma expedição de 1986.

A estabilidade no nível de plástico na superfície pode, segundo os pesquisadores, ter diversas explicações que vão desde o afundamento do plástico no oceano (a coleta foi feita com redes na superfície), ao consumo dele por organismos marinhos, passando pelo plástico ter se quebrado em pedaços tão pequenos que não puderam ser coletados pelas redes. “Tenho certeza que há mais plástico flutuando no mar, mas que não foi capturado pelas redes”, disse Karen ao iG.

Como o plástico foi parar ali
Em outra vertente da mesma pesquisa os pesquisadores uniram os dados coletados a um modelo computacional para entender porque o plástico se acumula mais em uma região específica do Atlântico Norte – no caso, entre Cuba e Washington DC.

A análise dos dados concluiu que o lixo se acumula nessa região devido às correntes marítimas. Desse modo, os resíduos plásticos podem servir como marcadores das correntes oceânicas de superfície. Ou seja: acompanhando o movimento do plástico, é possível ver como fluem essas correntes.

A falta de uma mudança drástica na quantidade de plástico não significa, no entanto, que a quantidade existente no local já não seja um grande problema ambiental. O plástico é um grande contaminante dos oceanos do mundo. Sua durabilidade química e baixa taxa de degradação fazem com que eles permaneçam no ambiente marinho por anos, décadas ou até mesmo séculos. “Há vários impactos ambientais conhecidos da presença de resíduos plásticos no oceano e provavelmente uma vasta gamas de outros que ainda não conhecemos ou entendemos”, afirmou Kara.

Entre as conseqüências conhecidas da sopa de plástico estão a ingestão dos fragmentos por pássaros e fauna marinha (que vai desde plâncton aos grandes mamíferos aquáticos) e a concentração e contaminação dos compostos químicos presentes no plástico em seus organismos.

Mesmo com todas essas conseqüências, não há ainda dados consolidados sobre a quantidade de plástico nos oceanos. “Em mar aberto, a abundância, distribuição e a variedade espacial e temporal dos resíduos plásticos é pouco conhecida apesar do aumento da preocupação com o problema”, relata Kara no artigo.

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