Justiça dos EUA investiga se houve falhas da BP

Investigação tenta determinar se British Petroleum falhou na plataforma de petróleo que explodiu no fim de abril

iG São Paulo |

A justiça americana tenta determinar se a petroleira British Petroleum (BP) cometeu uma eventual falha a bordo da plataforma que explodiu em 20 de abril no Golfo do México, indicou neste domingo o secretário da Justiça, Eric Holder.

"Enviei representantes do departamento de Justiça para ver o que poderemos fazer a respeito do que aconteceu e se houve falhas na execução ou conduta por parte da BP", declarou Holder ao canal ABC.

A BP foi denunciada por várias queixas coletivas, a maioria delas referentes a profissionais da pesca ou turismo que sofrem as consequências da maré negra.

O grupo prometeu assumir todos os gastos de limpeza relacionados com a catástrofe ecológica e indenizar os profissionais cuja atividade tenha sido afetada pela presença de petróleo no mar.

Cúpula falha

Reuters
Mancha de óleo continua em expansão no Golfo do México
A "cúpula" que havia sido instalada para conter o vazamento de petróleo no combate à maré negra que se espalhou pelo Golfo do México teve que ser retirada no último sábado devido à formação de cristais semelhantes aos de gelo, jogando um balde de água fria nas esperanças dos moradores da região.

"Levaremos provavelmente os dois próximos dias para encontrar soluções para este problema", indicou, durante uma entrevista à imprensa, Doug Suttles, diretor de exploração da companhia de petróleo britânica BP.

As dificuldades surgiram quando a "cúpula" foi instalada. Um grande volume de hidrato de gás se formou no interior, obrigando as equipes a retirá-la. Esses cristais se formam devido à combinação de gás com a água a certas pressões e temperaturas, explicou Suttles.

O fracasso da instalação da cúpula submarina representa um forte golpe para as populações que vivem no litoral do golfo do México, do Texas à Flórida, que, apesar de tudo o que ocorreu nos últimos dias, receberam uma boa notícia: as condições meteorológicas são favoráveis e deverão manter a maior parte da camada de petróleo longe do litoral nos próximos dias.

Mas a maré negra já atingiu ilhas desabitadas da Louisiana e o governador do Estado, Bobby Jindal, ressaltou que "será muito mais difícil limpar esse petróleo quando chegar às áreas pantanosas".

Esperança

A cúpula de confinamento de doze metros de altura, que pesa cem toneladas, era considerada a melhor solução a curto prazo para conter o vazamento de cerca de 800 mil litros de petróleo por dia no Golfo do México, a 80 km do litoral da Louisiana (sul).

A cobertura deveria agir como um funil: em vez de ser descarregado no mar, o petróleo seria aspirado e enviado por um tubo até um navio. As equipes esperavam recuperar assim até 85% do petróleo que escapa.

Operação complexa

Antes mesmo da instalação da cúpula, a BP e as autoridades americanas haviam mencionado as dificuldades que poderiam comprometer esta operação complexa, sem precedentes a esta profundidade.

O diretor da BP indicou que "outras técnicas" que foram utilizadas haviam registrado "progressos". "As equipes de limpeza continuam a tirar o petróleo que flutua no mar, utilizando dispersantes", anunciou Mary Landry, oficial da guarda costeira, durante a entrevista coletiva à imprensa.

Mais de 274 km de proteções flutuantes já foram instalados ao longo da costa, nas partes mais vulneráveis. No total, 400 km serão colocados em doze locais diferentes para conter o avanço do petróleo e absorvê-lo, explicou.

Mary Landry acrescentou que até o momento dois pássaros tinham sido recuperados e limpos. Ela também mencionou a descoberta na sexta-feira de duas aves mortas, além de três tartarugas, acrescentando que uma investigação estava em andamento para determinar se a maré negra é a causadora.

Acidente

A plataforma Deepwater Horizon, explorada pela BP, afundou no dia 22 de abril após uma explosão que deixou 11 mortos, gerando um vazamento de petróleo que formou uma mancha do tamanho de um pequeno país.

As guarda costeira americana e a agência federal encarregada da gestão dos recursos minerais anunciaram que iniciarão na terça-feira uma investigação para determinar as causas da catástrofe.

Reprodução
Barcos de apoio tentam apagar incêndio na plataforma

 * Com AFP e EFE

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