Jane Goodall alerta para perda da biodiversidade

Cientista de "Na Montanha dos Gorilas" diz que perda de espécies gera um efeito dominó com consequências graves para o planeta

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Jane Goodall volta em 2006 a Gombe, Tanzânia, onde começou seu trabalho com gorilas em 1960
A britânica Jane Goodall, a renomada especialista no estudo de primatas que foi interpretada por Sigourney Weaver no filme "Na Montanha dos Gorilas", pediu para que o mundo tome consciência urgente de que estamos perdendo nossa biodiversidade "como uma orquestra que perde seus músicos um a um".

A incansável pesquisadora de 76 anos multiplica as ações de sensibilização sobre a importância de proteger o meio ambiente. O Instituto Jane Goodall defende a necessidade de mudanças profundas sobre o hábito de consumo.

O ano de 2010 foi declarado Ano Internacional da Biodiversidade com o objetivo de abrir os olhos da população mundial sobre o ritmo alarmante de destruição. Por que não houve a mobilização que se esperava como resposta?
JG: É um problema de comunicação. Usa-se uma linguagem muito técnica. A perda da biodiversidade é a perda que uma orquestra sofre com a saída gradual dos músicos. O desaparecimento de uma plantinha pode parecer sem importância, mas a criatura que depende dela também desaparece. Enfim, é o desmoronamento de vários edifícios em efeito dominó. Somos os seres que têm mais capacidade intelectual no planeta, mas não nos questionamos sobre o impacto de nossas decisões nas próximas gerações. Qual será o impacto disso na próxima reunião de acionistas? Em minha carreira política? Na minha carreira profissional? Esses são os critérios que usamos.

Baleias, pandas, elefantes e chimpanzés. O que se pode aprender com os grandes mamíferos?
JG: A biodiversidade envolve todas as espécies, começando pelas que vimos todos os dias, no campo e na cidade. Mas as espécies emblemáticas têm o mérito de fazer as pessoas sentirem mais facilmente o peso de uma possível extinção. Fora que os grandes animais precisam de grandes espaços na terra e no mar; então para salvá-los é preciso salvar também o meio ambiente e logo várias outras espécies ao mesmo tempo. A situação dos chimpanzés é especialmente sombria. Havia mais de um milhão quando comecei (em 1960, no Parque Nacional de Gombe, na Tanzânia). Hoje é 300 mil.

A senhora defende mudanças de comportamento na vida das pessoas e escolheu ser vegetariana. Todo o mundo deveria fazer a mesma escolha?
JG: Não adiantaria dizer que todo o mundo deveria deixar de comer carne, porque entraria por um ouvido e sairia por outro. Mas cada um deveria entender as consequencias para si e para o mundo de comer um corte de carne proveniente de um animal criado em cativeiro em regime intensivo.

Apesar dessa realidade sombria que descreve, a senhora continua otimista. Por quê?
JG: A esperança vem do fato de a natureza também ser resistente, seja planta ou animal. Isso é extraordinário. Os exemplos são vários. Fora isso, há grandes avançes em termos de conscientização, embora nem sempre haja uma mudança de comportamento junto. Aí mora o perigo. Como fazer as pessoas terem consciência do horror iminente e ao mesmo tempo mostrar que ainda há tempo para evitar que isso se torne realidade?

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