Índios Navajos adotam energia renovável

Tribo, que tradicionalmente vive da mineração de carvão, quer abraçar o desenvolvimento sustentável

The New York Times |

Durante décadas, o carvão tem sido a salvação econômica dos Navajos, mesmo quando as emissões das usinas de mineração e energia tomaram conta do azul do céu e mancharam as águas de suas terras.

Mas hoje há mudança no ar. Buscando reverter anos de degradação ambiental e retomar seus valores tradicionais, muitos Navajos estão pedindo um futuro com base em parques solares, ecoturismo e microempresas.

"Em algum momento temos de nos livrar", disse Earl Tulley, funcionário de habitação Navajo, sobre o carvão.

Tulley, que está concorrendo a vice-presidente da Nação Navajo na eleição de 02 de novembro, representa um movimento crescente entre os índios, que abraça a cura do meio-ambiente e aposta em energias renováveis como o sol e o vento, abundantes em uma reserva de 17 milhões de hectares, abrangendo os Estados do Arizona, Novo México e Utah.

"Nós precisamos abraçar o desenvolvimento sustentável", disse Tulley, o primeiro ambientalista a concorrer em uma disputa presidencial Navajo.

Na sua base, o movimento que defende o fim do uso do carvão é simultaneamente uma reação ao dano ambiental e às consequências da mineração para a saúde – perda e contaminação da água, poluição atmosférica e fuligem – e uma reconsideração de doutrinas seculares.

Mas a mudança também é motivada por realidades econômicas.

Os líderes tribais dizem que o rendimento da Nação Navajo a partir do carvão caiu entre 15% e 20% nos últimos anos conforme normas de poluição federais e estaduais impuseram restrições onerosas e diminuíram a demanda pelo produto.

Duas minas de carvão na reserva foram fechadas nos últimos cinco anos. Uma deles, a mina Black Mesa, encerrou suas operações porque os proprietários da usina que alimentava, em Laughlin, Nevada, optaram por fechar em 2005, ao invés de gastar US$ 1,2 bilhão na modernização para atender os controles de poluição exigidos pela Agência de Proteção Ambiental.

No início deste mês, a agência sinalizou que exigiria que provedores do Arizona instalassem controles de emissão no valor de US$ 717 milhões em outro local na reserva, a Usina Four Powers, no Novo México, descrevendo-a como o maior emissor de óxido nitroso do país.

E os Estados que dependem do carvão Navajo, como a Califórnia, estão cada vez mais impondo normas que controlam as emissões de gases causadores do efeito de estufa e exigindo o uso de energias renováveis.

Assim, mesmo quando procuram preços maiores e novos mercados para suas grandes reservas de carvão, os oficiais tribais dizem que estão trabalhando para elaborar a primeira política energética da tribo e estão gradualmente se voltando para os casinos, projetos de energias renováveis e outras fontes como renda.

"Nós precisamos criar nossos próprios negócios e controlar nosso destino", disse Ben Shelly, vice-presidente da nação Navajo, que é candidato à presidência contra Lynda Lovejoy, uma senadora do Estado do Novo México e companheira de chapa de Tulley.

Essa mensagem está ganhando força entre os Navajos, que colheram poucos benefícios a partir do carvão ou que sentem que sua saúde tem sofrido por causa disso.

"É um novo dia para o povo Navajo", disse Lori Goodman, oficial do Cidadãos Contra a Destruição do Meio Ambiente, um grupo fundado há 22 anos por Tulley. "Nós não podemos mais destruir a Terra ".

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