Índios da Amazônia alertam para ameaça da construção de Belo Monte

Em evento com cineasta James Cameron, índios afirmam preferir um estrangeiro que apoie sua causa do que um governo que os destrua

EFE |

AFP
Cacique Raoni, líder caiapó, com James Cameron em Manaus: tribos são contra projeto de hidrelétrica
Os povos indígenas da Amazônia brasileira pediram nesta sexta-feira ajuda à comunidade internacional diante da "ameaça" que representa para seu território e sua cultura a obra da hidrelétrica de Belo Monte, que está sendo construída no Pará.

"O Governo do Brasil não respeita os direitos humanos dos indígenas nem suas próprias leis. Pedimos que o mundo apoie nossa causa para não desaparecer", proclamou com veemência a líder indígena Sheyla Juruna em entrevista coletiva em Manaus.

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Diversas ONGs denunciam que as obras da hidrelétrica, que começaram neste mês no município de Altamira (Pará), causarão danos irreparáveis ao ecossistema e às condições de vida de indígenas e camponeses que moram nas margens do rio Xingu, um dos afluentes do Amazonas.

Belo Monte, que gerará 11.233 megawatts nas épocas de cheia do rio, inundará cerca de 516 quilômetros quadrados de floresta para ser construída. Para isso, 50 mil pessoas teriam que deixar suas terras.

Sheyla alertou que a obra de Belo Monte é um "projeto ilusório" que só beneficiará "pequenos grupos capitalistas" e pediu à presidente brasileira, Dilma Rousseff, que impulsione projetos alternativos à construção da hidrelétrica. "O Brasil necessita de desenvolvimento, mas de forma sustentável e respeitando os povos indígenas", disse.

Ela denunciou a "farsa" do governo brasileiro por afirmar que a construção não afetará as comunidades amazônicas e advertiu que os povos indígenas recorrerão à "força" para defender seus territórios. A hidroelétrica custará US$ 10,6 bilhões e será a terceira maior do mundo, atrás da de Três Gargantas (China) e da de Itaipu, (Brasil e Paraguai).

No 2º Fórum Mundial de Sustentabilidade, o diretor James Cameron criticou o governo brasileiro por levar adiante o projeto da hidrelétrica, apesar de a obra não contar com o apoio da população. "Esta gente tem sangue brasileiro e faz parte da cultura do país", declarou o cineasta.

Cameron anunciou que nos próximos cinco anos produzirá vários documentários para mostrar os desafios que a humanidade enfrenta e conscientizar as pessoas da necessidade de se impulsionar um desenvolvimento sustentável. "Preferimos ter um estrangeiro que defende nossa comunidade e nosso país do que um governo que destrói nosso povo", disse Sheyla em referência a Cameron.

Raoni, cacique da tripo caiapó alertou que a obra de Belo Monte "romperia" o ritmo natural da fauna do Rio Xingu e obrigaria a comunidade a buscar outra fonte de alimentação diante da eventual migração das espécies que habitam nele.

"Tudo será destruído. O governo sabe disso porque nós lhe informamos, mas não quer ouvir porque só pensa no dinheiro que vai ganhar com este projeto", disse o cacique.

O líder indígena admitiu sentir "raiva" daqueles que apoiam a construção da hidrelétrica e dos que não têm respeito pelos direitos de seu povo. Sobre Cameron, o cacique disse que se trata de um "homem forte e mágico".

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