Greenpeace denuncia que vazamento na China é 60 vezes maior que o anunciado

Segundo a ONG, vazamento no porto de Dalian chegou a 650 mil barris de petróleo

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Fotografia divulgada pelo Greenpeace mostra as tentativas rudimentares de coletar o petróleo em Dalian
O Greenpeace denunciou hoje que o vazamento de petróleo ocorrido na cidade de Dalian, no nordeste da China, chegou às 90 mil toneladas de petróleo, equivalentes a 650 mil barris, 60 vezes mais que o número de 1,5 mil toneladas reconhecido oficialmente pelo governo chinês.

Segundo a ONG, os dados são estimativos, baseados em testemunhos pessoais e na quantidade de petróleo recolhido e na superfície afetada que o Greenpeace calcula que seja de mil quilômetros quadrados.

No último dia 16, a explosão e o posterior incêndio de dois oleodutos no porto Xingang de Dalian, causados pelo mal uso de um sulfureto como catalisador para a descarga de petróleo desde navios petroleiros, desencadearam o pior vazamento de petróleo registrado no litoral da China.

O Greenpeace lamentou o segredo tanto das autoridades como da Petrochina, a empresa proprietária dos oleodutos que transbordaram e que só conseguiu fechar as válvulas de escape seis dias depois do acidente. "A quantidade de petróleo derramado é muito maior que 1,5 mil toneladas", sentenciou Yang Ailun, uma das responsáveis do Greenpeace na China.

No domingo, nove dias depois da tragédia, o Governo de Dalian confirmou oficialmente o fim dos trabalhos de limpeza, embora navios de vigilância marítima sigam na região para "consolidar" os trabalhos de retirada e "remediar os efeitos da mancha de óleo no litoral".

"De acordo com nossas estimativas, foram recuperadas ao redor de 60 mil toneladas de petróleo do golfo de Dalian", disse Richard Steiner, professor da universidade americana do Alasca e especialista em vazamentos de petróleo.

De fato, tanto o Greenpeace como o especialista assumiram que a quantidade retirada do mar em Dalian é muito maior que a do Golfo do México pelo incidente de British Petroleum (BP). "O grau de efetividade (dos trabalhos de limpeza) é assombroso, um milagre criado pelas mãos e as malhas absorventes de 20 mil pescadores", acrescentou Steiner, em referência a "pobre tecnologia" usada nos trabalhos de Dalian.

Calcula-se que mais de mil de navios e 45 mil pessoas - das quais só 8 mil eram profissionais - participaram da limpeza da maré negra. Na maior parte dos casos, os materiais empregados eram pás, sacolas de lixo, barris de plástico e aparelhos de pesca, e inclusive aconteceram situações de recolhida de petróleo com a ajuda de palitos chineses.

"Só na indústria pesqueira as perdas oscilarão entre os US$ 50 milhões e US$ 100 milhões", apontou o especialista americano, que vaticinou que deverão passar pelo menos dez anos para que o ecossistema afetado se recupere "razoavelmente".

O impacto no litoral também é considerável, com dezenas de quilômetros de praia contaminados, além do petróleo superficial que as correntes e marés deslocaram "e que ninguém sabe onde está", nas palavras de Steiner.

Por este motivo, o Greenpeace também reivindicou a Pequim - segundo consumidor de petróleo do mundo, atrás apenas dos EUA - o estabelecimento de planos nacionais e regionais de contingência para vazamentos, assim como uma avaliação global de riscos das infraestruturas petrolíferas do país para que este tipo de situação não se repita.

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