Greenpeace comemora 40 anos em Vancouver, onde tudo começou

Protesto de ativistas contra testes nucleares no Alasca deu início às atividades da famosa entidade ambiental

AFP |

Reprodução/Greenpeace
Grupo de manifestantes que alugou um navio para protestar contra testes em nucleares em 1971 virou uma ONG mundial
Um simples telefonema, alertando para o aparecimento de lontras marinhas mortas na costa do Alasca, deu origem à organização ambientalista Greenpeace há quatro décadas.

Irving Stowe e sua esposa, Dorothy, ficaram tão indignados com a notícia que, de sua casa em Vancouver, na costa oeste do Canadá, impulsionaram a criação do grupo "Don't Make a Wave" (Não Façam Ondas, em tradução literal). A filha do casal, Barbara Stowe, lembrou os primórdios deste grupo, que floresceu e deu origem à organização ambientalista internacional Greenpeace, que celebra seu 40º aniversário na próxima quinta-feira  (15).

Veja as últimas atividades do Greenpeace

Stowe contou que seu pai havia ouvido falar sobre as lontras marinhas que apareciam mortas e com os tímpanos rompidos após testes nucleares dos Estados Unidos na ilha de Amchitka, no Alasca.

Com um grupo de ativistas, os Stowe, ambos pacifistas que deixaram os Estados Unidos durante a Guerra do Vietnã, lançaram o "Don't Make a Wave" - cujo nome fazia alusão à preocupação de que as explosões provocassem um tsunami - e anunciaram um plano para mandar um barco a Amchitka para acompanhar os testes.

Logo, "de todo o Canadá e do mundo inteiro as pessoas enviavam dinheiro, de dois em dois dólares", disse Stowe.

A embarcação, à qual chamaram "Greenpeace", partiu de Vancouver em setembro de 1971.

Embora a Guarda Costeira dos Estados Unidos a tenha detido antes de chegar a Amchitka, a iniciativa ajudou a criar uma consciência global sobre as explosões nucleares, que foram canceladas no ano seguinte.

O "Don't Make a Wave" mudou seu nome para "Greenpeace" e em poucos anos, superou as fronteiras de seu lugar de origem. Hoje, a organização tem sua sede central internacional em Amsterdã e escritórios espalhados por dezenas de países. Mas, curiosamente, a filial canadense fica em Toronto e não em Vancouver.

No entanto, os funcionários e os fundadores afirmam que Vancouver, com seu pitoresco entorno de mar, montanhas e bosques e uma população diversa, foi chave para dar início à organização.

"O Greenpeace é produto de um tempo, mas também de um lugar", disse Bruce Cox, chefe do Greenpeace Canadá.

Vancouver, centro cultural dos aborígenes da região, também foi desde 1880 o centro econômico da costa oeste do Canadá. No entanto, por volta da década de 1960, era conhecido por sua população multicultural e por ser o refúgio de americanos desertores e de hippies da contracultura.

Em qualquer outro lugar, o Greenpeace não poderia ter decolado, disse um de seus fundadores, Rex Weyler, que navegou no barco Greenpeace após se mudar para Vancouver nos anos 1960, quando era um jovem jornalista.

"Lembro-me das comunidades japonesas e chinesas de então", disse Weyler. "Havia um movimento internacional da juventude, comunidades budistas, comunidades hindus, jovens hippies, gente do movimento 'Back-to-the-Landers' (pessoas que ocupavam a terra e cultivavam para seu consumo próprio) e uma comunidade ecológica".

Segundo Weyler, a ideia era desenvolver um "verdadeiro senso de ecologia" em um momento em que havia movimentos pelos direitos civis, pelos direitos das mulheres e pela paz.

"Isso é o que nos propusemos a fazer, não a criar uma organização internacional e tornar o Greenpeace famoso", afirmou Weyler. "Iamos transformar o mundo... E em parte funcionou, não?", questionou.

O Greenpeace teve uma trajetória turbulenta e nos últimos anos foi duramente criticado por algumas ações provocativas em sua primeira campanha para deter a caça de focas e por enfrentar, em alto-mar, barcos baleeiros japoneses.

Mas a organização manteve seu feroz sentido de independência, valendo-se apenas de doações pessoais no lugar de aportes governamentais e do financiamento corporativo. Além disso, está firmemente comprometida com o rigor científico, o que lhe rendeu elogios.

"Minha impressão é de que (o Greenpeace) continua sendo uma das organizações ecológicas mais poderosas e respeitadas e os moradores de Vancouver, que sabem que surgiu aqui, são orgulhosos disso", disse o cientista William Rees, professor da Universidade da Columbia Britânica e um dos inventores da Pegada Ecológica, ferramenta que permite medir o impacto ambiental de empresas, pessoas, procedimentos, etc.

Esta semana, funcionários do Greenpeace de todo o mundo se reúnem em Vancouver para comemorar os 40 anos da organização.

Barbara Stowe, cujos pais já faleceram, disse que políticos e funcionários verão que o Greenpeace também deixou sua marca em Vancouver, hoje considerada uma das cidades mais ecológicas do mundo.

"Este lugar atrai pessoas que amam a natureza", disse Tzeporah Berman, co-diretora das campanhas de clima e energia do Greenpeace Internacional, que recentemente se mudou para Vancouver, procedente de Amsterdã.

"É uma cidade decidida a se transformar na cidade mais verde do mundo", acrescentou.

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