Governo dos EUA anuncia plano de recuperação do Golfo do México

Agência científica afirma que despesa será paga pela petroleira BP

Por Natasha Madov, enviada a Washington |

Dez meses se passaram, o poço já foi fechado, mas só agora os EUA começam a dar sinais de que a ressaca pós-vazamento da Deepwater Ocean acabou e os trabalhos de recuperação vão começar. Ao mesmo tempo, cientistas ainda divergem sobre as consequências do que é considerado o pior desastre ambiental da história.

Natasha Madov
Jane Lubchenco comanda agência responsável pelo plano de recuperação do Golfo do México
No início desta tarde, durante a reunião anual da AAAS (sigla em inglês para Sociedade Americana para o Avanço da Ciência), em Washington, nos Estados Unidos, Jane Lubchenco, diretora da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional, anunciou aos jornalistas que o órgão começou a avaliar as medidas necessárias para a recuperação da região. O processo incluirá uma série de consultas públicas, para avaliar a extensão dos danos, e o objetivo final é compensar, ambientalmente e financeiramente, todos os danos causados pelo acidente com a plataforma de petróleo operada pela BP, que se incendiou em 22 de abril, derramando cinco milhões de barris de petróleo no oceano.

Jane deixou claro que, segundo a legislação americana, o custo de todo esse processo de avaliação será pago pela British Petroleum, a empresa responsável pelo acidente. Ela também anunciou o investimento de US$ 2,9 milhões em pesquisas para prevenir e melhorar a resposta a vazamentos de petróleo. "Se aprendemos algo com esta tragédia, é que precisamos desenvolver métodos de prevenção e contenção, até para avaliarmos o custo-benefício ambiental da exploração de petróleo em águas profundas," afirmou aos jornalistas presentes.

Consequências contraditórias
Em apresentação nesta mesma manhã, os cientistas mostraram que as consequências do acidente precisam ainda ser mais bem estudadas.

Enquanto Terry Hazen, do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, da Califórnia mostrou que a mancha de petróleo submarina já foi quase toda degradada pela fauna microbiana das águas do Golfo, Samantha Joye, professora da Universidade de Georgia, encontrou muito óleo na superfície e no fundo do mar do Golfo.

Science/AAAS
Bactérias degradam o óleo da mancha submarina causada pelo vazamento da BP
"A mancha submarina era muito pouco densa," explicou a pesquisadora. "Apenas 10% do vazamento total estava ali. Nós ainda não temos certeza do que aconteceu com o resto", explicou.

Samantha também apresentou vídeos feitos em dezembro que mostram a presença de petróleo no solo marinho, e suas diferenças entre os pequenos vazamentos naturais que acontecem no Golfo. "É possível ver claramente diferenças entre os restos do poço Macondo e os vazamentos naturais". Samantha disse que não esperava ainda encontrar óleo e bolas de alcatrão tanto depois do acidente.

INFOGRÁFICO: A EVOLUÇÃO DA MANCHA DE PETRÓLEO

O que o Brasil pode aprender com o vazamento da BP
Na eventualidade de um vazamento de petróleo na costa brasileira, o país poderia contar com uma “ajudinha” da natureza, como os Estados Unidos tiveram? Não necessariamente. Segundo Hazen, o tipo de bactéria “comedora de petróleo” que degradou parte do óleo da BP é típico da regiào e do Ártico. “Até onde eu saiba,é possível que elas existam no Atlântico Sul, mas ainda não há registro da presença delas ali por enquanto”, explicou ao iG .

O especialista em segurança de plataformas Vikram Rao assinalou durante o encontro que um modo de evitar vazamentos como o da Deepwater Ocean seria investir em centros de monitoramento das atividades das plataformas em terra. “Se esses centros, contando com pessoal experiente, acompanhassem as atividades das plataformas, tragédias como essa poderiam ter sido evitadas”, disse. Em relação à Petrobras, ele se limitou a comentar que a estatal brasileira é uma das mais capacitadas do mundo para perfuração em águas profundas.

Relembre a explosão da plataforma da BP no Golfo do México


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