Governo brasileiro não quer ligar Rio+20 às negociações climáticas

A conferência não pretende estipular regras ou negociar cortes de emissões de carbono para não se tornar "problemática"

Carolina Cimenti, de Nova York, especial para o iG |

O governo brasileiro não quer ligar a conferência ambiental Rio+20 , que acontecerá em junho no País, às negociações sobre emissões de carbono e aquecimento global, pois teme que se esse for o tema principal, a conferência já começa seriamente problemática.

Por outro lado, se a conferência não tratar de temas ambientais delicados e não criar pressão para que países como os Estados Unidos e a China façam mais pelo ambiente, inclusive reduzindo emissões de gás carbono, teme-se em Nova York que ela possa acabar sendo irrelevante.

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A Rio+20, que tem o apoio das Nações Unidas (ONU), não pretende estipular regras ou negociar cortes de emissões de carbono. O documento final do evento não pretende ser um tratado, apenas um diálogo entre nações.

O esboço inicial do documento, que está sendo elaborado em Nova York essa semana, está publicado no site do evento em português como “esboço zero”.

“A Rio+20 faz parte da família das conferências que nos fazem parar para pensar. Você para tudo, olha para a agenda atual e reflete sobre o caminho a ser tomado”, explicou o embaixador André Corrêa do Lago, diretor do Departamento de Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores, que se encontra em Nova York para participar de reuniões preparatórias para o evento na ONU.

O que o governo brasileiro mais quer desta conferência é que ela obtenha um tipo de consenso e resultado, segundo o embaixador Corrêa do Lago.

“Mas é preciso ter cuidado porque para obter consenso temos que fazer concessões, e também não podemos aguar e diluir todas as discussões, é preciso que haja um balanço e que se avance na agenda ambiental e de desenvolvimento sustentável”, disse ele ao iG em Nova York.

Por isso, em vez de tratar agressivamente do aquecimento climático, a estratégia do governo brasileiro será discutir o desenvolvimento sustentável como uma possível e ecológica saída da crise econômica mundial. “A discussão ambiental não pode caminhar sozinha, ela tem que ser feita juntamente com a discussão econômica. Só assim ela pode funcionar”, diz Corrêa do Lago.

Segundo ele, os temas principais da Rio+20 serão transporte, energia, a criação e eliminação de lixo e a necessidade de mudar os padrões de consumo do mundo, ou seja, fazer com que as pessoas comprem menos.

“O maior desafio para o Brasil será o de convencer países ricos e pobres que o desenvolvimento sustentável é uma questão econômica, e não ambiental, e que existem milhares de oportunidades e empregos a serem criados com ele, e não o contrário”, disse o embaixador.

A Rio+20 pretende discutir metas para o desenvolvimento sustentável, assim como a ONU criou metas para combater a pobreza 12 anos atrás, os chamados Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.Os diplomatas envolvidos nessas discussões falam abertamente da possibilidade dessas metas, porém afirmam que politicamente ainda não seja possível coloca-las em prática.

Na conferência, haverá discussão sobre temas a serem seguidos, mas provavelmente ainda não se tratará das metas propriamente ditas que possam impulsionar e medir o desenvolvimento sustentável no mundo.

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