Fórum Mundial da Água começa em Marselha de olho na Rio+20

Participantes querem que resoluções do fórum sirvam para fazer da água um elemento central na conferência em junho

EFE |

AFP
Mulher carrega galão de água para abastecer casa
O Fórum Mundial da Água abriu sua sexta edição nesta segunda-feira (12) em Marselha com o objetivo de se aprofundar na busca por soluções para a gestão desse recurso e a intenção de que suas resoluções sirvam para fazer da água um elemento central de discussão na Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20).

Chefes de Estado e de governo, ministros, representantes locais, do setor público e privado e de ONGs relembrarão os encontros trienais de Marrakech, Haia, Kyoto, Cidade do México e Istambul e se concentrarão nos compromissos que devem ser cumpridos após essas cinco cúpulas sobre o diagnóstico da questão.

O presidente do Conselho Mundial de Água, Loïc Fauchon, como representante da entidade organizadora, indicou durante a abertura que a mobilização destes anos demonstrou que "o futuro da água está nos campos político e social".

Como marco estratégico de ação foram fixadas 12 prioridades centradas na garantia do bem-estar, na contribuição ao desenvolvimento econômico e na manutenção do planeta, assim como três "condições de sucesso", que segundo o programa incluem a boa governança, um financiamento de água para todos e a criação de condições favoráveis de gestão.

Para debater as questões serão reunidas 140 delegações ministeriais e mais de 80 ministros, 800 conferentes e 25 mil participantes, além de 600 organizações de 180 países, cujo tempo estará dividido em cerca de 250 conferências e mais de 400 horas de discussões.

A amplitude do trabalho pendente foi refletida nesta segunda no 4º relatório da ONU sobre o desenvolvimento dos recursos hídricos, que indica que o aumento da população em cerca de 3 bilhões de pessoas para 2050 e a consequente alta da demanda por energia e produção agrícola, unidos à mudança climática, ameaçam a quantidade e a qualidade desse elemento caso não se atue para remediar a questão.

O primeiro-ministro francês, François Fillon, considerou em seu discurso que, diante da imensidade de desafios, chegou a hora de passar "à velocidade de cruzeiro" na aplicação do que qualificou como "nova revolução industrial".

"A primeira esteve ligada à exploração por parte de algumas potências, e esta terá como desafio a preservação do planeta e a equidade entre nações", indicou Fillon em referência a "um novo modelo de desenvolvimento" que mobilizará toda a população.

Além do premiê francês chegaram à Marselha nesta segunda o príncipe Albert II de Mônaco, o presidente do governo marroquino, Abdelilah Benkirane; o de Níger, Mahamadou Issoufou, e o primeiro-ministro da República da Coreia, Hwang-sik Kim.

Mas o ponto forte da semana no campo político acontecerá nesta terça-feira, com a realização da cúpula ministerial e a adoção de uma declaração não vinculativa que se acredita que desemboque no avanço das respectivas políticas públicas.

Sua falta de obrigatoriedade, no entanto, foi objeto de críticas de ONGs como a americana "International Rivers", cujo coordenador, Zachary Hurwitz, lamentou nesta segunda à Agência Efe que neste encontro sejam promovidos projetos em países como a Etiópia e o Quênia que não aplicam mais do que uma "maquiagem verde" às práticas de sempre.

Essa ONG e outros grupos ambientalistas e solidários ecoarão sua mensagem em um Fórum Alternativo Mundial da Água (FAME), que de quarta-feira a sábado espera reunir cerca de 2 mil militantes em prol da distribuição justa dos recursos e contra sua mercantilização.

Enquanto isso, não faltaram mensagens de incentivo por parte de outros participantes oficiais, como o pedido de Albert II para que este encontro "mostre o caminho" à cúpula do Rio de Janeiro e a certeza de Benkirane de que "a bondade de Deus sempre dará água aos humanos".

Mas a mensagem mais sincera partiu de um casal de irmãos de Mali, que falou na abertura do encontro e pediu, em francês, "verdadeiras soluções, não aquelas que se aplaudem nos fóruns", e que sejam "para amanhã, e não para dentro de cinco anos".

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