Fórum Mundial da Água aprova declaração que desagrada ONGs

Opositores à declaração afirmam que texto abre caminho para investimento privado na garantia da água para a população

EFE |

O Fórum Mundial da Água, viveu nesta terça-feira (13) uma de seus dias mais importantes com a adoção de uma controvertida declaração ministerial que contou com a oposição da Bolívia e com a crítica de algumas ONG's presentes.

O texto, que o ministro francês de Cooperação, Henri de Raincourt, celebrou publicamente, expressa a vontade de acelerar o acesso à água potável e ao saneamento. Além disso, defendeu a coerência das políticas de gestão da água.

Em sua apresentação, o ministro não escondeu que a ambição dos objetivos fez com as negociações preparatórias fossem difíceis, mas mostrou satisfação de que a declaração reconheça a urgência de atuar e deixar de considerar a água como um problema à parte.

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O ministro boliviano de Água e Meio Ambiente, Felipe Quispe, foi o único que não concordou com a declaração, por considerar que ela abre caminho para o investimento privado na garantia desse recurso à população.

O ministro boliviano se mostrou contrário a parte do documento que se mostra favorável ao "planejamento financeiro estratégico e sustentável, fundada numa combinação adequada de contribuições dos usuários de água, orçamentos públicos, financiamentos privados e canais bilaterais e multilaterais".

Além disso, a falta de um reconhecimento explícito do direito humano ao acesso à água e ao saneamento, declarado como tal pela Assembleia Geral da ONU em 2010, foi outro aspecto contra o qual se levantaram ONG's como Ecologistas em Ação ou Engenheiros Sem Fronteiras.

"As vontades políticas precisam ser claras. Este documento é o que levaremos para a Rio+20. Ele diluiu o conceito aprovado pela ONU e destrói consensos que já construídos", explicou Jaume Delclòs, integrante da Engenheiros sem Fronteiras.

O texto, não vinculativo, limitou-se a expressar que após a adoção da resolução por parte das Nações Unidas, os signatários se comprometem a "acelerar a implementação das obrigações" relacionadas.

A relatora da ONU para água e direitos humanos, Catarina de Albuquerque, advertiu antes do fórum que a inclusão do texto seria um passo atrás e que os governos seriam "inconsistentes" com as decisões tomadas previamente.

A aprovação da resolução era um dos pontos-chave do encontro, que foi inaugurado nesta segunda-feira e se encerra no sábado, e que sob o lema "a hora das soluções" avançará nos próximos dias na busca e troca de propostas sobre a utilização do recurso.

O Conselho Mundial da Água, organizador deste fórum, divulgou que mais de 80 ministros e delegações de 130 países estão participando do encontro, que deverá reunir ao todo 25 mil pessoas.

O encontro se completa com conferências nos quais países, empresas e ONG's irão expor suas políticas, e a partir de amanhã, dividirá espaço com o Fórum Alternativo Mundial de Água (FAME), que até sábado espera reunir cerca de três mil militantes de uma distribuição justa da água e que combatem sua mercantilização.

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