Extração de madeira na Amazônia cai 42,04% em 5 anos

Queda foi causada pela crise econômica, que diminui a demanda externa por madeira

EFE |

A indústria madeireira do Brasil reduziu seu consumo de madeira procedente da Amazônia em 42,04% nos últimos cinco anos, para os 14,2 milhões de metros cúbicos processados em 2009, segundo um relatório oficial divulgado hoje.

Este dado contrasta com os 24,5 milhões de metros cúbicos de madeira bruta consumida em 2004 e os 28,3 milhões de 1998, quantifica o estudo elaborado pelo Ministério do Meio Ambiente e a ONG Imazon.

As três principais causas da redução da extração de madeira foram a substituição da matéria-prima por outros materiais, o aumento dos controles públicos e a crise econômica mundial. O documento assinala que a utilização do PVC e o alumínio na construção civil e os aglomerados na indústria de móveis deram uma trégua ao corte da maior floresta tropical do mundo.

Desde 2005, as autoridades brasileiras aumentaram seus controles de forma substancial e começaram a confiscar, em média, 202 mil metros cúbicos de madeira de origem ilegal por ano, o que coibiu o desmatamento ilegal, detalha o documento.

A crise dos anos 2008 e 2009 afetou as exportações, que no ano passado representaram US$ 346 milhões, frente aos US$ 793 milhões de 2007, pelos dados da patronal do setor. Deste modo, a demanda externa vem caindo.

Em 2004, fatores como câmbio favorável e aumento da demanda por madeira amazônica no mercado europeu, norte-americano e asiático elevaram a proporção de madeira exportada para 36%. Em 2009, a participação da madeira nativa da região no mercado externo diminuiu para 21% da produção total.

O Ministério contabilizou 2.226 madeireiras e serrarias na região amazônica, que geraram o ano passado 66 mil empregos diretos e 137 mil indiretos e alcançaram receita líquida de R$ 4,940 bilhões.

Além das ameaças da indústria madeireira, a floresta amazônica sofre pela voracidade dos mineradores, os agricultores e os fazendeiros que possuem terras na região. Nos quatro primeiros meses deste ano, a Amazônia perdeu 260 quilômetros quadrados de cobertura vegetal, aponta a pesquisa.

O corte da floresta é a principal fonte de emissão de dióxido de carbono no país, por isso que o Governo fixou a meta de reduzir este processo em 80% para 2020. Este objetivo foi apresentado durante a Cúpula sobre Mudança Climática da ONU realizada em Copenhague no fim do ano passado.

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