Expedição avaliará impacto do vazamento na fauna do Golfo

ONG Oceana realizará amanhã a primeira expedição privada ao Golfo do México

EFE |

Elena Moreno. Nova York, 7 ago (EFE).- A organização ambientalista internacional Oceana realizará neste domingo a primeira expedição privada ao Golfo do México, dirigida pelo oceanógrafo espanhol Xavier Pastor, para avaliar o impacto que o vazamento de petróleo da British Petroleum (BP) teve sobre a flora e a fauna marinhas.

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Petróleo que vazou da plataforma Deepwater Horizon é visto na baía de Barataria no dia 5 de agosto
"O objetivo desta expedição é documentar os efeitos no longo prazo que esse vazamento terá na fauna e nas águas aparentemente limpas do Golfo do México", disse hoje à Agência Efe o cientista espanhol e vice-presidente para a Europa da Oceana.

Infográfico do iG mostra evolução do vazamento

Desde que em 20 de abril uma explosão destruiu a plataforma petrolífera "Deepwater Horizon" da companhia britânica BP, localizada a 100 quilômetros ao sudeste do litoral do delta do rio Mississipi, na Louisiana (EUA), mais de 4,9 milhões de barris de petróleo foram derramados no oceano.

Após várias tentativas fracassadas, a BP conseguiu nesta semana fechar o poço e a partir de agora começará a limpeza do maior desastre ecológico da história dos EUA.

Pastor, que trabalhou mais de uma década para o Instituto Espanhol de Oceanografia e outros 15 anos para o Greenpeace, vai coordenar a expedição que sairá no domingo de Fort Lauderdale (Flórida) e que se estenderá até 5 de outubro.

Especial: o futuro ambiental do Golfo do México

A contaminação dessas águas, ainda em áreas que aparentemente estão limpas de petróleo, pode afetar os corais e diversas espécies animais, como tartarugas, tubarões e atum vermelho, espécie esta que somente são criadas nessa região e no Mediterrâneo.

"É possível dizer que é o maior vazamento da história da humanidade", disse o biólogo marinho, quem ressaltou que a expedição vai tentar determinar "para onde foram as toneladas de petróleo derramadas no mar".

O Governo dos Estados Unidos informou nesta semana que quase três quartos do petróleo que vazou para o mar desde abril foi recolhido de alguma forma ou se descompôs naturalmente.

A bordo do "Oceana Latitude" estará uma equipe com 12 cientistas internacionais que liderados por Pastor e Mike Hirshfield, e inclui também o médico Jeff Short, um dos analistas que analisaram o vazamento de petróleo do "Exxon Valdez" no litoral do Alasca, farão testes na água, fotografarão e filmarão o fundo marinho para elaborar um documento que recolha o impacto desse desastre.

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Pelicanos tentam se equilibrar nas boias de contenção do vazamento de petróleo
"Existe uma equipe de mergulhadores que descerá até 40 metros para buscar amostras e fazer fotografias. Dispomos também de dois robôs submarinos, um que pode descer a 400 metros e outro a 800, e fazer testes e filmar o fundo marinho com câmeras de alta definição, com as quais será possível saber qual é o estado da região", explicou Pastor.

"Oceana quer que as pessoas entendam o impacto do que não pode ser visto, do petróleo que está nas profundezas e danifica a vida marinha e os habitats no Golfo, e que ficará lá durante muitos anos", acrescentou Hirshfield em comunicado da organização.

A equipe vai colocar um sistema de membranas que, como boias oceanográficas, poderá detectar plantas de hidrocarboneto nas águas por menores que sejam. O executivo-chefe da Oceana, Andy Sharpless, emitiu um comunicado no qual explica como será o trabalho da embarcação "Latitude". Eles vão estudar o fundo do mar e apurar se a migração foi afetada pelo acidente, incluindo várias espécies raras de tubarões brancos e de tartarugas.

"Vamos marcar alguns animais como tubarões e tartarugas para acompanhar como será a migração dessas espécies após o vazamento", explicou a Efe Pastor. Com os dados recolhidos, a Oceana - que tem sua sede nos EUA e foi fundada em 2001 - colaborará com várias universidades.

A organização quer conquistar a colaboração de personalidades de diversos âmbitos comprometidas com o meio ambiente, como a estilista e modelo espanhola Almudena Fernández e o cantor Miguel Bose, além de divulgar o resultado de seus estudos científicos.

Almudena, que vive em Nova York e é porta-voz na Espanha da campanha em favor do meio ambiente e do ex-vice-presidente americano Al Gore, expressou à Efe seu interesse pela expedição, com a qual ficará embarcada durante alguns dias.

"As verdadeiras vítimas deste desastre são a flora e a fauna do Golfo do México. As pessoas, que é muito triste, podem receber uma compensação econômica, mas os animais estão indefesos, simplesmente morrem", acrescentou.

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