Estudo venezuelano quer recensear população de onças

Informações vão contribuir a criação dos ¿corredores¿ que permitem que animais possam transitar entre seu hábitat já fragmentado

iG São Paulo |

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A bióloga Emiliana Isasi-Catala e Arturo Gonzalez conferem câmera fixada em árvore
Pesquisadores venezuelanos estão usando câmeras equipadas com sensores de movimento para calcular a população de onças-pintadas selvagens. Até hoje não existem estimativas do tipo, muito menos de quantas onças são caçadas no país. O estudo pretende contribuir com a sobrevivência do felino a partir do uso de rede nas reservas de vida selvagem e da criação de corredores de toda a América Latina.

Até agora o resultado do estudo de doutorado de Emiliana Isasi-Catala, da Universidade Simon Bolívar, mostrou que há uma onça-pintada a cada 30 quilômetros quadrados no parque Nacional Guatopo, na Venezuela, o que sugere que existam cerca de 40 em todo o parque. Para atrair os animais, às vezes Emiliana deixa pedaços de tecido embebidos em um perfume barato que imita o Chanel nº 5.

As onças-pintadas são os maiores predadores terrestres nas Américas. No passado elas viviam desde o sudoeste dos EUA até a Argentina, mas perderam mais de 40% de seu habitat natural, chegando a desaparecer por completo no Uruguai, em El Salvador e muitas outras regiões. O número de animais reduziu drasticamente entre as décadas de 60 e 70 por causa da popularidade de sua pele na moda.

Hoje elas estão listadas como espécies em risco de extinção. Os animais ficaram mais vulneráveis devido à expansão agrícola e à construção de estradas que estão ocupando seu habitat. Outro fator importante é o conflito com fazendeiros que vêm as onças como assassinas de gado e para salvar seu patrimônio, optam por matá-las.

As onças-pintadas eram vistas como criaturas sagradas pelos Maias. Em algumas culturas indígenas atuais, que tradicionalmente é dito que o espírito de um xamã pode se transformar em onça.

Na América Latina, a organização Panthera está promovendo a criação de um “corredor de onças”, uma rede de atalhos usados pelos felinos para se locomover entre as áreas selvagens separadas geograficamente por estradas, por exemplo. Especialistas vêm o projeto como uma forma de garantir a mistura genética da espécies.

A expectativa principal para salvar estes animais está no trabalho com os governos e as populações locais para reconhecer o trajeto que os animais percorrem, afirmou Alan Rabinowitz, zoólogo e presidente da Panthera. Suas pesquisas em Belize na década de 1980 levaram à criação da primeira organização de preservação de onças.

“Em todo o lugar que eu vá, eles ainda estão sendo filmados e seu habitat continua sendo fragmentado", disse Rabinowitz. "Em todo o lugar que eu vá procurá-los, eles estão em risco."

(Com informações da AP)

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