Estudo mostra que água doce influencia aquecimento global

Pesquisa, que teve participação da UFRJ, concluiu que apenas 25% do metano emitido por rios e lagos é absorvido por florestas

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo |

Getty Images
Água doce: balanço global entre emissão e absorção de metano é menor do que inicialmente estimado
Uma quantidade significativa de gases do efeito estufa lançada na atmosfera tem sido ignorada em tabelas, planos nacionais e metas globais para conter o aquecimento global. Pesquisadores conseguiram calcular a emissão de metano em lagos e rios e chegaram à conclusão de que a relação entre emissão e absorção dos gases do efeito estufa nas fontes de água doce é muito pior do que se imaginava. O estudo é o primeiro a fazer tal medição em larga escala. Atualmente a emissão de metano de rios e lagos não faz parte do balanço global de emissões.

“Para preservar o meio ambiente é preciso entender seu funcionamento, seja no nível local ou nível global”, disse ao iG Alex Enrich-Prast, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e um dos autores do estudo publicado hoje no periódico científico Science.

O estudo contou com a contribuição de diversos pesquisadores e mediu a emissão de metano em quase 500 pontos do planeta, como o rio Amazonas e rios do Pantanal, por exemplo. Baseado nestes dados foi estimado que as emissões de metano por ambientes aquáticos poderiam representar até 25% do CO2 absorvido naturalmente por florestas.

Rios e lagos também absorvem o dióxido de carbono da atmosfera. Quando o gás é absorvido pela matéria orgânica é transformado em metano. Este gás, embora mais raro na atmosfera, tem capacidade 23 vezes maior que o dióxido de carbono de reter a radiação infravermelha, provocando o efeito estufa.

Com a comprovação de que há mais metano que o estimado, chega-se a conclusão de que o balanço global entre emissão e absorção do gás é menor do que inicialmente estimado. “O papel dos continentes como sumidouro de carbono pode ser ainda menor do que estimamos”, afirmou em comunicado David Bastviken da Universidade de Linkoping, Suécia que liderou a pesquisa.

Os pesquisadores afirmam que as emissões de metano pela água doce ocorrem naturalmente e não devem ser consideradas uma ameaça ambiental. “É importante destacar que os rios e lagos não são os grandes vilões da história. Florestas estão absorvendo o dióxido de carbono nas mesmas quantidades de sempre, lagos e rios é que emitem mais do que se imaginava”, disse Enrich-Prast.

Para chegar a estes dados foram usadas as chamadas câmaras de incubação. Assim foi possível captar a emissão do gás em rios e lagos por 24 horas. Enrich-Prast explica que a emissão do metano não acontece de forma contínua. Existem as bolhas de metano que tornam a medição mais complicada. “As bactérias absorvem matéria orgânica dos rios e lagos. A matéria orgânica vira dióxido de carbono e metano que vão sendo acumulados até chegar à atmosfera em forma de bolhas”, disse.


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